Um dilema das neves…

9 Feb

Este carnaval vim à neve. Ou melhor, vim à Serra da Estrela. Quem já “foi à neve”, sabe que existem algumas diferenças entre uma coisa e outra. Seja como for, nem que seja apenas para fazer o bonito de ir mostrar a neve à canalhada, é importante estar “equipado a rigor” (e aqui não interessa se é tudo emprestado ou da coleção mais barata da decathlon… se estamos equipados, é a rigor).

E é aqui que começa a preparação para o nosso dilema.

Imaginem todo o processo de um gajo se vestir para ir pra neve. As calças, as collants (ou lá como se chama aquela roupa de bailarino que se coloca em baixo das calças), os mil fechos para impedir o vento de entrar, as luvas grossas, as alças das calças (ou suspensórios ou lá o que são), os elásticos, a camisola polar que fica por cima de não sei o quê para impedir que não sei quantos…, as botifarras, as golas e todo o moroso processo que levamos até estarmos “estanques”.

Depois disso, a caminhada para o sítio onde supostamente se vai curtir mais que em qualquer outro daqueles lugares mais próximos da civilização. Nada de especial… 10min de caminhada, enchouriçados em impermeáveis, polares e dois mil e setecentos fechos. O vento gelado a cortar a cara, as gotas de água que mais parecem agulhas a cravar-se na pele, a temperatura exageradamente anormal para o que estamos habituados, a mão que sai da luva para ver o telemóvel e que congela de dor ainda antes de marcar o código.

Subitamente, sem qualquer aviso prévio, o cérebro faz um comunicado de última hora ao resto do corpo:

A CÓLICA LANCINANTE QUE ACABÁMOS DE SENTIR, CULMINARÁ NUMA VONTADE DESCONTROLADA DE IR AO WC EM 120 SEGUNDOS…

119…

118…

117…

116…

E agora, o que fazem!? Correm de volta, mesmo sabendo que o tempo que gastarão no regresso será necessário para tirar aquela roupa toda? Começam logo a tirar a roupa, rezando a Deus para que aquelas temperaturas não vos deixem mazelas para sempre? E se passa alguém? E se, com a pressa e tanta roupa, tiram alguma coisa mal e fazem um mau cálculo das distâncias?

Ando a pensar nisto desde ontem. Ainda não aconteceu mas mais vale prevenir…  

PS: Outra coisa que, estranhamente, ainda não aconteceu, foi demorar horas a preparar os putos para depois chegar à neve e levar com o clássico: “Pai, quero fazer cocó“. Mas não nos precipitemos. Há tempo.

Escapadelas para descansar? Com filhos!? Expliquem-me como. Por favor.

7 Feb

Decidir que se vai. Onde se dorme? Logo se vê, há sempre um sítio qualquer. Também é só para dormir e actividades lúdicas associadas. Ir. Chegar. Pousar as coisas no quarto e experimentar a cama. Primeira actividade lúdica cumprida. Ir passear. Andar loucamente a pé. Parar só porque sim, só porque apetece uma cerveja, um cigarro ou simplesmente ficar a ver as pessoas passar. Continuar. Ver tudo o que se quer ver e começar a pensar em jantar. Escolher um sítio com boa onda. Jantar. Beber. Comer nas calmas. Beber generosamente. Dar o giro da noite para ajudar a digestão. Apanhar o “início da noite” mas não beber mais do que um copo porque se está cansado de tanto passeio. E porque já se pensa em poupar energia para actividades lúdicas. Regressar ao hotel. Confirmar que até é bem bom para o que se pagou. Actividades lúdicas. Dois dedos de conversa. Fazer uma “cadeirinha marota” enquanto ela vê “que canais há” na tv. Parar com as actividades lúdicas. Agora sim, adormecer.

Se não têm filhos, tenho a certeza absoluta que este “Resumo Europa-América de uma Escapadela de Quatro Dias“, está bem presente nas vossas cabeças. (Caraças… esta referência aos “Resumos Europa-América” vai acertar em cheio no pessoal com mais de 37 anos que só se lembrou de ler os Maias, dois dias antes do teste).

Agora… se têm filhos. É bem provável que estejam mais familiarizados com este:

Decidir que se vai. Onde se dorme? Humm… convém escolher bem. Pesquisar. Pagar mais caro para garantir que não se fica numa espelunca com os miúdos. Pagar ainda mais um bocado porque, parecendo que não, já somos quatro e o hotel não nos deixa ficar ao molho num “duplo normal”. Sai uma cama de casal, uma cama extra e uma cama de bebé! Ao menos ficamos à larga e confortáveis e ainda bem porque precisamos de descansar. Ir. Calma, calma, calma… não tão rápido! Primeiro é preciso pensar seriamente no que é preciso levar. Depois no tetris necessário para que tudo caiba no carro. São só quatro dias mas as mesmas malas de quatro meses. Agora sim, ir. Parar para almoçar porque os miúdos não podem ficar tantas horas sem comer. Ouvir gritos no banco de trás. Chegar. Pousar as coisas no quarto. Ainda bem que é grande porque também há muita tralha. Parece bem fixe. Mas também não foi barato. Experimentar a cama… para trocar uma fralda. Ralhar com a mais velha porque já está agarrada à televisão. Rearrumar a mochila apenas com o essencial para o modo “família em andamento”. Está pesada. Ir passear. Andar loucamente a pé mas sem ver tanto como seria de esperar. Cuidado com a estrada. Não lhe largues a mão. Ela quer ir à casa-de-banho. Não irrites o teu irmão. Vamos parar para lanchar. Mais uma volta. Aperta o casaco. Ficas doente e estragas o resto das férias. Vá, vamos tirar uma foto todos juntos. Como? Afinal o selfstick é ridículo mas pode servir para alguma coisa. Bora lá!? Com ele a chorar não vai ficar nada de jeito. Aproveita agora!!! Ficou gira. Convém é ver onde vamos jantar. Olha aquele sítio, tem bom ar. Sim mas não parece “children friendly”. Então onde? Olha ali, tem espaço para o carrinho e comidas normais. Siga! Ao menos portam-se lindamente nos restaurantes. Mas convém sermos rápidos porque eles hoje estão cansados. É normal, coitados. Sim, depois vamos para o hotel. Olha, está a chover. Boa. Corridinha de volta ao quarto. Chegamos. Mortos. São nove horas. Eles despertaram e estão com a corda toda. A ver se acalmam. Já chega de brincadeira! Acalmaram. Adormeceram. Ainda bem que pedimos este quarto. Estão três pessoas na cama grande, a cama de bebé está vazia e EU estou na cama extra. Sabia que ia precisar dela.

Aaaaah… vidinha boa!!! Amanhã recomeça às 07h30. 

PS1: Se estavam a pensar ter filhos, desculpem. Não foi minha intenção desmoralizar-vos. Mas também não estou aqui para enganar ninguém.

PS2: Se querem ficar ainda mais assustados, fiquem a saber que apesar do que leram, os meus filhos são daqueles que – sorte do destino – se portam muita bem. Podem não ter essa sorte. E aí sim… reza a lenda que é o fim.

PS3: Então!? Já não vos apetece parar de tomar a pílula!?? Nem aquela queca sem preservativo!?? Não sei porquê.

Ok, tudo bem. Não vou ficar chateado.

3 Feb

Acabei de perceber que no sítio onde treino – ou melhor – no sítio onde me esforço arduamente por manter uma silhueta humana (se um dia for encontrado morto na praia, quero que as pessoas percebam rapidamente que não se trata de uma orca e não comecem com aquelas merdas de tentar devolver-me ao mar com a ajuda de tractores), estão a fazer equipas para participar numa dessas competições para super atletas e, curiosamente, não me convidaram para integrar nenhuma das equipas…

Nem na das miúdas.

Ou dos mais velhos.

Ou das miúdas mais velhas.

Nem na das miúdas mais velhas, em cadeira de rodas, grávidas de oito meses e com uma ressaca de absinto da noite anterior.

Nenhuma.

Mas tuuuuuudo bem. A sério… na boa. Acham que ia ficar chateado por causa disso!? Eu!?? Pfff… sou adulto caraças. Não ligo a essas merdas. O quê? O argumento é não haver uma categoria para entrevados com mais de 90kgs!? Aaah ok… tudo bem. Eu percebo.

Se calhar não querem ganhar por muitos ou assim… Estúpidos.

  

No que se foi meter… tão novinha.

29 Jan

Estão a ver aquela coisa dos pais tratarem os filhos como se fossem crianças, mesmo quando os miúdos já têm vinte anos!? E dizerem que, por mais que cresçamos, vamos ser sempre os seus bebés. Estão a ver o ridículo?

Eu tenho isso com a minha irmã.

Por mais que seja uma miúda independente, com a sua casa, o seu namorado , o seu trabalho e por aí fora, penso sempre se não será melhor ir buscá-la ao restaurante onde foi jantar com os amigos e levá-la a casa porque já não serão horas de andar na rua sozinha. E quando a vejo na rua, antes de dizer seja o que for, sou sempre assolado por um primeiro pensamento: “Humm… o que é que esta menina anda aqui a fazer sozinha em Lisboa!? Sujeita a atravessar uma estrada mais movimentada e ser atropelada por esses delinquentes que não vêem as crianças na passadeira…“.

A minha irmã faz trinta anos hoje. Trinta!
E ESTÁ GRÁVIDA!!!! ESTRILHO!

Mil motivos para lhe dar os parabéns aqui neste pardieiro. Mil motivos para continuar a morrer de orgulho naquela “piquena tão ajuizada”. No entanto, antes de o fazer, assola-me sempre outro pensamento: “Grávida!? GRÁVIDA!??? Com essa idade!?? Será que foi tipo Virgem Maria!? Como é que isso pode ter acontecido!?? Ai quando os pais souberem… estás tão lixada!!!“.

PARABÉNS MIÚDA!!! (Pessoal, venha daí uma onda de parabenização à Factos Sister. Ok… não precisa de ser uma onda muito grande. Um ou dois bastam. Váá, só um. Por favor. Ajudem-me nisto porque ela foi adoptada e uma das minhas missões de vida é fingir que gosto dela como se fosse mesmo da família.)

   PS1: Porquê esta foto? Porque era a que tinha aqui à mão e mostra bem o que vai ser a vida dela agora que já fez trinta e tem um puto a caminho. Vai ser sempre a descer…

PS2: O meu pai também faz 71 anos hoje mas não o trouxemos para casa depois de o encontrar num balde do lixo, como tal, não tem carências emocionais e não precisa que eu reforce a sua total integração na família.

Estava decidido que esta noite voltava a escrever…

27 Jan

Mas entretanto, a série “Making a Murderer” entrou na minha vida. Agora não escrevo. Não interajo com a família. Não ligo a tv. Nada.

Sou apenas eu e este dilema chamado Steven Avery.

Não comecem a ver isto. Agarrem-se à vossa vida, à vossa família e lutem contra a tentação de começar a ver isto. Melhor… só porno.

Vão por mim.

  

Então rapaziada!? Que é que se passa aqui!?

27 Jan

Ele é Marcelo a ganhar à primeira. Ele é Maria de Belém a ser envergonhada à primeira. Ele é o bronco do Jesus em primeiro. Ele é o Peseiro num “grande”… pela primeira vez. Ele é o Carnaval aí à porta e as gordalhufas – de Ovar à Mealhada –  a sambar ao ritmo do frio que se faz sentir. Ele foi Globos de Ouro com o Ricky a partir aquilo tudo. Ele é Porto e Sporting fora da Taça da Liga. Ele é pretos fora dos Oscars. E eu fora destas lides…

Mil coisas a acontecer, mil motivos para mandar bitaites de elevada qualidade (de acordo com a minha auto-avaliação) e eu a fazer o quê? A trabalhar e a perder anos de vida enquanto faço “certas e determinadas coisas, nomeadamente diversas” que me garantem o pão na mesa e os putos enfiados num colégio para não chatearem.

(Não sei se já vos disse mas “Certas e Determinadas coisas, Nomeadamente Diversas” é o nome do livro que tenho à espera de ser publicado pela editora que oferecer a melhor proposta… sendo que, melhor proposta, neste caso, é dizer: “Nós publicamos e damos-te zero euros por isso”)

Isso mesmo. Há quem se ausente porque vai de férias, há quem precise de se retirar momentaneamente porque precisa de descansar, Há quem tenha novos projectos e desiste dos antigos e há quem fique uns tempos sem escrever porque foi “abraçar novos desafios”.

(Que estupidez de expressão… “abraçar desafios” é quando a Erica Fontes vê um negão com um tarolo de 32cms e percebe que a próxima cena é com ele. Ela sim… vai abraçar o desafio. E não só. Seja como for, 99% das pessoas que diz isto, não vai abraçar desafio nenhum. Vai só trabalhar noutra merda qualquer)

Eu não. Eu ando parado porque estou cheio de trabalho.

Trabalho daquele que não posso não fazer, enquanto esta for a minha vida. Trabalho que é bom que apareça feito porque faz parte do rol de coisas que faço porque me mandam. Sim, porque me mandam.

Aaaah e tal… sou maior e vacinado e ninguém manda em mim” – Sim, sim… contem-me histórias. Quem vos paga o salário, manda em vocês. Ponto final. Vocês, por mais que tentem pensar que não é bem assim, são as putinhas amestradas de quem vos paga o salário. Eles mandam… e vocês fazem. Lixado, não é? Até um bocado deprimente, eu sei.

Aaaah… mas mais vale isso que o Centro de Emprego” – Epáá… estrelinha que vos guie! Não há pachorra para essa conversinha da treta. O facto de arrancar dois dentes sem anestesia, doer mais do que levar um selo nas ventas, não faz com que adore passar o dia a levar bananos. Certo?

Agora que pusemos os pontos nos “i’s” e já está toda a gente bem deprimida com a vida que leva (aos que continuam felizes, peço que se abstenham), resta-me agradecer o facto de continuarem a passar por cá. Mesmo sem movimento aparente, mesmo com os estores sempre fechados, há resistentes que me enchem de orgulho e vão regando as plantas, passando um pano do pó e arejando este pardieiro de quando em vez.

Devo-vos muito. Embora não perceba bem que raio de vida é a vossa. Não estava mais do que na hora de desistir disto e começar a frequentar casas de melhor fama?

Seja como for, eu volto.

É como me sinto neste momento.

25 Jan

A Susan Boyle nos Ídolos lá de não sei onde. Os concorrentes quarentões que se metem nos BigBrothers da vida e vão de vela na primeira semana. O Lopetegui no Porto. A Maria de Belém nas eleições. O Peseiro a ler os comentários das notícias que anunciavam o seu regresso a Portugal. O Cavaco a ver a alegria de um país na hora da despedida. A Erica Fontes ao perceber que não foi convidada para ser embaixadora da Feira do Fumeiro de Montalegre.  

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