#39

29 Aug

Quando era puto, no pico dos 80’s, fartava-me de pensar em quantos anos teria no ano 2000. É estupido, eu sei. Mas vivia obcecado com a ideia de que teria 23 anos no ano 2000 e a projectar como seria eu nessa idade tão longínqua. Teria namorada? O que faria quando fosse um super adulto de 23 biscas? E o mundo!? Os carros voariam? Os telefones permitiriam que víssemos quem está do outro lado? Seria mais fácil visualizar um par de mamas ou continuaria a precisar de comprar Gina’s às escondidas!?

O que, naquela altura, nunca me dei ao trabalho de pensar, foi em como seria eu no ano 2016. Se ter 23 anos me parecia uma coisa de ficção científica, eu com 39 nem sequer era coisa imaginável.

Estava longe de me imaginar onde estou. Mas, verdade seja dita, não se está nada mal. Casa; carro; uma mulher que me atura e ainda diz que gosta de mim assim; três filhos; repito, TRÊS FILHOS; uma família gigante; uma mão cheia de viagens; outra de aventuras; amigos do peito daqueles que vão chorar baba e ranho no dia em que me finar; uns trocos no banco para levar os miúdos à bica; saúde nesta malta toda e a mesma vontade de me rir que tinha “back in tha days”.

Nada mal miúdo. Não estamos NADA MAL MESMO!


E agora ficamos por aqui. Não imaginas o que é escrever umas linhas, com três putos à volta. E um sobrinho. E a tua irmã a chatear. É uma mulher a pressionar para fazermos não sei o quê. E os teus pais que, acredita, não é por fazeres 39 hoje que deixarão de te chatear.

A sério Senhor!? A sério que Precisavas de me ter feito isto!?

27 Aug

Era preciso ir à farmácia e ao supermercado comprar coisas para fazer sopa. E eu fui.

Ir à sítios, a partir do momento que se tem um festival de crianças em casa (na verdade, basta um recém-nascido… não é preciso mais que isso) é algo que qualquer pai está sempre sedento por fazer. É preciso ir às Finanças tratar daquela papelada horrível… EU VOU! Devíamos tratar daqueles berbicachos na Seg.Social… EU VOU! É melhor encomendarmos coisas do Continente Online… NADA DISSO! É IMPORTANTE SERMOS NÓS A ESCOLHER E CARREGAR PELAS ESCADAS ACIMA. EU VOU!

Nenhuma oportunidade de sair de casa é desperdiçada. E foi por isso que saltei do sofá para ir tratar do que fosse preciso.

Coincidência das coincidencias, nesse pequeno trajecto, dei de caras com um amigo meu. Amigo solteiro. Sem filhos. Grande festa, nenhum de nós contava encontrar o outro aqui, etc, etc… em menos de nada, a conversa flui para:

Amigo: Parabéns pá!! Já vi no facebook que o puto nasceu. Maravilha! O que andas a fazer?

Factos: É verdade. Fui só ali à farmácia e agora vou comprar umas merdas para fazer sopa pros putos. Mas eu vivo mesmo aqui. E tu, para onde é que vais!?

Amigo: A questão não é para onde vou, é de onde venho. Agora vou para casa mas ainda estou “a sair da noite” (Eram quase 13h e aquele boi atira-me este golpe baixo sem qualquer aviso…). Não estás a ver bem o que me trouxe aqui… nem tão pouco o que me prendeu até estas horas… quando dei por mim estava a…

Neste momento, desliguei da conversa. Por motivos de segurança, o meu corpo disparou automaticamente o “dispositivo anti-depressão” e impediu que eu ouvisse qualquer palavra sobre a tal noite louca. Depois de um silêncio meio estranho, limitei-me a dizer: “Então vá, gostei de te ver… vai lá descansar que eu também tenho que ir fazer a sopa dos putos. Xau.

Fiz as compras, acabei de chorar nas escadas do prédio, limpei as lágrimas e subi.



Amor à camisola. E gula.

24 Aug

ÚLTIMA HORA! CONFIRMADO!

– Excesso de peso acaba de assinar com o meu corpo! A CMVM e a balança da minha casa-de-banho, já confirmaram este negócio. Depois de inúmeras temporadas consecutivas, “banhas” (nome pelo qual ficou conhecido) volta a renovar com o corpo que o acolheu nos últimos anos e, apesar de nem sempre ser um elemento desejado nesta casa, mantém-se no activo e com fortes possibilidades de renovação. A cláusula de rescisão é a mesma de sempre, dieta… valor que se tem revelado demasiado alto e impeditivo da sua saída definitiva. Os adeptos estão divididos. Por um lado, sabem que isto é reflexo de tempos bem passados mas, por outro, já começava a ser tempo de apostar noutra estratégia. Mais desenvolvimentos em breve.

Métodos de Ensino

22 Aug

Hoje, o tio Maradona (não vamos perder tempo a explicar origens de alcunhas… digamos apenas que nunca foi grande jogador) veio da margem-sul de propósito para ensinar o Factos Filho a gamar uma bola da Liga dos Campeões.

Podia ser uma bola qualquer mas o tio Maradona diz que não vale a pena ir dentro por menos que isto.

Para a semana o tio vai voltar para continuar a formação dos meus filhos (com particular atenção ao rapaz mais velho), uma vez que não confia nos valores que lhes passam aqui na Estrela. Vai começar por Intimidação e Agressão com Arma Branca, uma vez que é o mais fácil de arranjar em tenra idade. Depois, voltará para dar as cadeiras de Iniciação ao Fananço por Esticão e lá para Setembro fecha com Atropelamento & Fuga I e II.

Outra coisa que o tio Maradona pediu ao Factos Filho, foi para parar com esta mania de chamar “tio” a pessoas que não são irmãos dos pais. Ainda que seja um verdadeiro “mano” daqueles que não se fazem fora do Miratejo, o tio Maradona morreria de vergonha se passasse alguém que tivesse cumprido pena com ele e ouvisse tal coisa. O que seria!??

O que seria!??” – foi outra das coisas que o tio Maradona prefere que não se esteja sempre a dizer. Para ser correcto, o tio Maradona disse que me matava se algum dia ouvisse um dos meus filhos a dizer tal coisa. A será lenta e dolorosa se o disserem com voz “afectada”.

Mais um dia aqui e peço nacionalidade aos Emirados Árabes Unidos…

19 Aug

Há os médicos fixes que safam umas coisas fixes. Os bem à maneira que facilitam umas coisas simpáticas. E depois há a minha Obstetra… que quis fechar esta gravidez com chave-de-ouro e arranjou-nos um quarto no Dubai.

E embora esta parte do Dubai seja muito parecida com Benfica, vale bem a pena acordar nesta penthouse.

O problema vai ser a desilusão do puto quando chegar a casa e perceber que as coisas mudaram um pouco ao nível dos janelões. E das senhoras que vêm ao quarto trazer o que precisamos. E das miúdas giras da recepção. E das auxiliares mais gostosas. Enfermeiras safadonas.

Enfim meu menino, a vida não é nenhum mar de rosas cheio de miúdas de farda a querer mexer-nos no corpo… habitua-te.

“Hat Trick” da vida.

18 Aug

Porque raio choram alguns jogadores quando marcam o terceiro golo num jogo!? Não é propriamente uma sensação nova. Porque raio se comove o Phelps cada vez que sobe ao pódio!? Porque raio continua a Meryl Streep a emocionar-se quando recebe um Oscar!? Porque raio se arrepia o Jagger quando sobe ao palco em frente a um estádio cheio!? Porque raio voltei a não conseguir controlar as lágrimas quando, pela terceira vez, me puseram um bebé no colo e disseram: “Aqui está, vai ao pai.“!?

Não sei. Não faço ideia. Não foi a primeira vez que fui pai. Não é o primeiro rapaz, nem seria a primeira rapariga. Não foi o primeiro a que assisti. Nem sequer foi o primeiro com esta médica.

Mas foi o meu primeiro terceiro.

Nunca tinha tido três. Nunca tinha visto o terceiro. Desconhecia a sensação de segurar aquele que – só porque chegou – teve o poder de transformar o “mainovo” no “do meio”. Nunca tinha feito contas cujo resultado fosse além de “metade para cada um”. E agora!? Como se fazem essas divisões manhosas com outro na equação!?

Como é que este se juntou aos outros e, num ápice, me ficou com um terço de coração!?

Não sei. Mas se calhar, é por isso que se chora.


PS: Num dia em que o país aguardava ansiosamente pela final olímpica de triplo-salto, mal o puto nasceu, escrevinhei “nas redes” a primeira coisa que me veio à cabeça. Como fui o único a sair medalhado, aqui fica para a posteridade: 

A final do meu triplo salto foi agora mesmo e uma vez mais, ganhei o Ouro! OURO! Daqui para a frente, fazemos a maratona todos juntos! #Factos_theThird #NASCEU #Hattrick_da_vida

Já com Galileu foi o mesmo…

16 Aug

O meu filho que vem a caminho, está – há meses – sentado e encaixado na bacia da mãe. Literalmente, posicionado para nascer de rabo. Até aí, tudo bem… faz-me menos confusão que tenha preferido sentar-se do que ficar estes meses todos de cabeça para baixo o que, aparentemente, é o ideal.

O que realmente me intriga nisto tudo é que, se ele está de rabo, sempre que eu e a mãe “passámos um bom bocado”, existe uma enorme possibilidade de eu ter incomodado o miúdo de uma forma que não me parece correcta.

Já o estou a imaginar a subir pelas paredes do útero, a segurar-se ao “tecto” o melhor possível, enquanto olha para baixo e profere frases como: “Ei, ei, ei!!! Está ocupado!! Estás a ouvir!? Ocupado! Olha aí que tem gente!!! Então!??? Tás-te a passar? Pára com isso antes que magoes alguém!!! Mas este gajo está parvo ou quê!??“.

Acho isto perfeitamente normal. O que não acho normal, é que quando confrontada com esta questão, a minha obstetra (sim, também é minha… ou aquele puto foi lá parar sozinho!? Já basta não existir um “boletim do grávido”, outra falha gigante em toda esta caminhada que se quer “conjunta” mas só para o que lhes interessa…) ignora a pertinência desta observação e trata-me como se eu fosse um atrasado mental que não domina a dinâmica do corpo humano. Aliás, é precisamente por saber o que a casa gasta ao nível DO MEU corpo humano que tenho a certeza que esta preocupação é legítima.

Mas tudo bem, já com Galileu foi a mesma coisa. Enquanto somos os únicos visionários, tratam-nos sempre como loucos…

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