Epá… sou uma pessoa simples. Não me façam isto.

18 Nov

Ao telefone:

“A Rita comprou duas rosas e duas túlipas. Gastou 24€. O Zé comprou duas rosas e uma túlipa. Gastou 17€. Quanto custa uma rosa e uma túlipa?”

Factos Filha: Pai, consegues ajudar-me a perceber a lógica de como se resolve este problema?

Factos: Claro. Então… pensa lá um bocado. Basta pensares que… ora bem, então… hmm… uma rosa… coiso… duas tulipas… 24€… então… 17€… Bom, tu é que tens que saber como se faz isto. Não te vou resolver o problema. Tens que pensar. Vamos desligar o telefone para te concentrares nisso e depois volto a ligar.

Recorri à ajuda de casa para obter a resposta certa sem a pressão de ter alguém do outro lado a controlar o tempo e sem assumir que, assim de repente, não estava a chegar lá. Eu, um super-herói, claro que não ia ter dificuldades com um problema da quarta classe.

Lá liguei de volta, dei algumas pistas para ajudar a desbloquear o raciocínio e fiz o papel de pai super inteligente. Quando achava que a prova estava superada e que continuava a ser o maior…

Factos Filha: Obrigado pai! Já percebi. És tão inteligente! Então olha esta que fiz ontem e vê lá se sabes a resposta:

MAS ISTO NÃO VAI PARAR NUNCA!? MAS SOU O QUÊ? ALGUM EINSTEIN!??

Enfim… estou a tentar arrastar o melhor que posso mas parece-me óbvio que está quase a descobrir que tem um pai bastante medíocre ao nível do dilema matemático. E a outros níveis também. Mas vamos por partes. Aliás… não é o todo que é maior que a soma das partes!? Ok… é melhor não me meter por aí.

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Leões? Tigres? Elefantes? Naaaa…

11 Nov

Factos: Filho, hoje vamos ao zoo e vais poder ver montes de animais! Estás contente?

Factos do Meio: Siiiiiiiim!

Factos: E que animais é que queres ver?

Factos do Meio: Vamos à selva!!

Factos: Sim filho, é mais ou menos isso. Mas que animais é que queres mesmo ver?

Factos do Meio: GATOS! RATOS! E… MOSCAS!!!

Gatos, ratos e moscas. Porra… estes putos sabem mesmo desmoralizar uma pessoa.

Vou criar uma startup de auto-motivação.

7 Nov

Quem for à websummit e não sair de lá com uma ideia brutal que o faça ganhar rios de dinheiro, é um mega atrasado mental. Eu, por exemplo, fui lá o ano passado e hoje em dia sou o CEO da…

Vá… não ter ideias não tem nada de mal. Não podemos ser todos ricos.

Aliás, o que seria dos gajos brilhantes se nós não existíssemos para comprar as suas apps que fazem cenas bué fixes e invejá-los de forma doentia até ao fim dos nossos medianos dias!? De que lhes valeria tanto dinheiro, ilhas tropicais, topmodels, carros, aviões, apartamentos, quintas, festas e viagens de sonho… se não existíssemos nós a fazer o contraponto de tudo isso!?

Aaaah pois é… bem vistas as coisas e eles não seriam ninguém se não fôssemos nós. Nós, os que não nos lembrámos de nada e temos que acabar de escrever isto a correr porque está um cliente ao telefone e não o podemos fazer esperar.

No fundo, a websummit é um encontro de falhados a tentar reunir pessoas normais que os ajudem a ser alguém. É isto não é?

Vai daí não é…

Assim fica mais fácil.

4 Nov

Na mesa do café, ao meu lado, um casal e uma avó discutem a casa que deverão oferecer ao filho. Ou filha, não percebi bem. Dar uma casa já seria espectacular mas, neste caso, estão a decidir se deverá ser mais para o Rato ou para Campo de Ourique, quais as ruas mais bonitas, a falar de luz, de chão de madeira antiga e das obras que poderão ter que fazer. No fim, para cereja no topo do bolo, a mãe ainda diz: “…não devíamos procurar já uma maior? Não tarda muito quer casar e escusava de andar com mais mudanças“.

Assim, sem mais nem menos. Centro da cidade, casinha impecável, sem rendas nem complicações. Daqui a uns anos, quando se fartar, vende e ainda encaixa uma pipa dele.

Porra… nem consegui ter inveja. Fiquei só ali a pensar que na corrida da vida, há malta que já parte muito à frente. Que maravilha.

O desconforto senhores… o desconforto.

29 Out

Façamos um pequeno enquadramento, para perceberem a dimensão da coisa.

Estão a ver aquele grupo de WhatsApp criado – única e exclusivamente – para a partilha de devassidão de tão baixo nível que nem sequer estou seguro que não vá dentro se, um dia destes, a PJ deitar as mãos ao meu telefone? Estão a ver esse grupo!? Pois bem… eu tenho um amigo que é o resultado da fusão de 8 grupos desses, 4 de zoofilia, 26 anãs tailandesas, 9 russos com problemas mentais, 3 nigerianos bêbedos, 1 extintor e 4 latinas com a libido de sete hipopótamos. De um despiste de autocarro com esta malta toda, nasceu o chat de WhatsApp que tenho com este gajo.

Ontem, a minha irmã manda-me uma fotografia de um casaco e pede-me para ir num instante ao Chiado ver ser havia o tamanho pretendido. Como era para a minha mãe, fui. Caso contrário, fosse lá ela .*

Entro na Benetton e uma miúda pergunta-me de imediato se preciso de ajuda. Saco do telemóvel, encosto-me a ela e não perco nem um segundo: “Preciso sim. Diga-me uma coisa… Têm cá isto!?

Quando vou abrir a conversa da minha irmã, ESSE amigo manda-me uma mensagem e eu, sem querer, abro a dele.

O resto, imaginem vocês. Mas como seria de calcular, não têm daquilo na Benetton.

*A Humanidade decidiu que são sempre os mais novos a tratar de tarefas menores e não ia ser eu a mudar isso por causa de uma preguiçosa… estamos onde!? Além disso, aos olhos do juiz Neto de Moura, só por ser miúda e ter tido a veleidade de me pedir para tratar disto, já merecia ter levado dois bofetões com as costas da mão… arriscou muito. Teve sorte.

Primeiras vezes: o “brain freeze”.

15 Out

Pela primeira vez na vida e sem nada que o preparasse para tal, o meu puto pôs um exagero de gelado na boca e sentiu aquela dor horrível do cérebro a congelar. Até podia ter ficado com pena dele. Na verdade, até podia ter impedido que o fizesse. Mas caraças… além de ter ficado a saber mais uma coisa que poderá contribuir para que não seja um alarve como o pai, nada paga o momento de agonia em que gritou no meio da loja: “AAAAAAAH… CARA FIA! CARA FIA! AAAAH!! TÁ A DOÊÊÊ!!“.

Foi tão bom.

Não estou ao nível das minhas feromonas.

15 Out

Sento-me numa esplanada em frente ao mar, completamente deserta. Ninguém. Só eu, o meu café e mil cadeiras vazias à minha volta. Ainda a chávena ia a meio, chega uma miúda, bem gira por sinal, e senta-se LITERALMENTE ao meu lado.

Não foi muito perto de mim, não foi nas minhas costas… foi AO MEU LADO, numa esplanada que não tinha rigorosamente ninguém. Só para que percebam, estava tão ao meu lado que a minha estranheza deixou de ser o facto de ela ali estar e passou a ser o facto de não estarmos a falar. Estava tão em cima de mim que qualquer pessoa que olhasse para nós iria pensar que éramos daqueles casais que estão juntos mas já não têm nada para dizer um ao outro.

Claro que depois de processar o que estava ali a acontecer e tirar as medidas à miúda, era hora deste vosso amigo fazer alguma coisa. Não podíamos ficar ali e simplesmente ignorar o facto de estarmos “juntos”, era hora de mostrar como se comporta um macho alfa nestas situações e ela, provavelmente, até estava à espera de um “move” meu.

Foquei-me na minha descontração natural, imaginei as palavras certas e em tudo o que a vida me ensinou sobre estas abordagens ao sexo oposto. Era hora de mostrar “who’s the man” e agir.

Peguei nas minhas coisas e vim para areia sozinho.

Estavam à espera de quê? Se há coisa que a vida me ensinou é que não fui feito para isto. Que vergonha!

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