Enchidos contra a disfunção eréctil

3 Abr

Andava aqui surfar na net (sim, surfar… navegar é para velhos) e vi um daqueles artigos com um senhor triste sentado na cama, com a típica legenda “Calma! Não é o fim do mundo! Tome não sei o quê e volte a ser o maior da sua rua! Um autêntico touro de cobrição!” (não dizia mesmo isto mas a ideia era esta…). E foi aí que me ocorreu que se perde demasiado tempo a inventar mézinhas para esse momento tão duro (má escolha de palavras, eu sei) na vida de um homem, quando na verdade tudo se poderia resolver com algo simples. Enchidos.

Existe alguém não goste de um bom enchido? Duvido. Mas no caso de estarem com uma dessas pessoas estranhas, adaptem com uma caixa de bolos.

Imaginem este cenário. Forróbódó do bom, beija aqui, esfrega ali… é hora de avançar e, óóóó caraças… então este menino resolveu meter folga agora!?? Insistem disfarçadamente mas percebem que o amigo não quer mesmo colaborar. Antes que ela resolva vir com perguntas parvas, partem para o ataque e dizem: “Olha… isto estava a ser giro mas bom bom… era termos aqui um belo salpicão de Arganil para picar” e ainda antes que ela esboce qualquer comentário, sacam de um sortido de enchidos da mochila e dizem “tcharaaaaam!!!“. No meio da estupefacção, a vossa companhia sentirá aquele cheirinho a fumeiro e começará a salivar. Pinar ia ser bom mas caraças… ninguém resiste ao cheirinho a fumeiro.

Quando estiver de barriguinha cheia, façam-lhe uma massagem e esperem que adormeça. Depois saiam sem fazer barulho. Quando acordar, vai estar super satisfeita e com aquele saborzinho salgado nos lábios. Além disso, quando pensar no que aconteceu, vai achar tão estranho que o mais certo é acreditar que estava bêbeda e que sonhou com isso. De seguida, liga para uma amiga e diz-lhe que acordou sozinha mas que nunca se sentiu de barriguinha tão cheia na manhã seguinte… que até parece que esteve toda a noite a comer salpicão. A amiga ri e pensa que é uma metáfora. Impossível bater isto.

Agora só não sei é se esta solução sai mais barata.
Este fim-de-semana comprei um salpicão e a ver pelo preço, acho que a indústria do fumeiro também começar a ser comparticipada.

Resultado de imagem para disfunção erétil

PS: Agora vai tudo achar que na verdade andei a fazer uma pesquisa para encontrar “soluções para o problema de um amigo”, certo!? Pois… não vai ser fácil provar o contrário.

PS2: Para arranjar esta imagem, fui ao Google pesquisar por “disfunção eréctil”. Agora vou levar com publicidade com pilas moles durante séculos.

PS3: Não sei apagar o histórico e aposto que, mais tarde ou mais cedo, virá uma colega ao meu computador fazer qualquer coisa e acabarei por ter aquela conversa “isto foi para arranjar uma imagem para um texto”. Conversa essa que ela ignorará olimpicamente e, no máximo, dirá algo como “Ok Factos… não tenho nada a ver com isso”.

PS4: Ainda assim, continuo a acreditar que um bom sortido de enchidos resolve qualquer situação.

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Depois há pessoas que falam falam, falam falam e não os vejo fazer nada…

1 Abr

Antes de ser crucificado, Jesus foi para o Monte das Oliveiras reflectir sobre o que estava prestes a acontecer-lhe.

Parecendo que não, não vinha nada a calhar e lixava-lhe a tarde toda. Na verdade, até lixava o fim-de-semana todo. Era Quinta e já só ressuscitaria no Domingo. Ainda assim, lá fez o que tinha que ser feito.

Agora pensem nisso, antes de fazerem birrinha só porque vos marcaram uma reunião secante numa sexta à tarde.

Páscoa versão 2.018

1 Abr

Mateus: Pessoal, quinta-feira abusámos. Ressaquei forte e feio nestes dias.

João: Nem me digas nada. Mal me mexo. E o Jesus, chegou bem a casa?

Mateus: Estás a gozar!? Apagou completamente. Só acordou hoje!

BOA PÁSCOA SEUS HEREGES.

Uns segundos de paraíso. E ponderação.

31 Mar

Putos aos gritos no carro. Chegas ao destino. Sais e, antes de abrir as portas de trás para sacar os animais, tens aqueles segundos de silêncio em que ouves tudo na rua… tudo. Menos eles.

Ponderas se não será melhor partir e deixá-los ali. Alguém há-de aparecer e tomar conta deles. Eventualmente, a mãe não tem tanta coragem e fica para trás. É uma mulher inteligente e vai arranjar um homem decente que saberá que nunca será pai deles mas vai tratá-los bem. Ou então não arranja ninguém e dará conta do recado sozinha. Mais que bem.

A mão está na porta. Hesitante. Na memória, apenas a chinfrineira que aquelas pestes vinham a fazer. Não vai ficar por ali. Talvez mais uns dez anos e a coisa acaba por acalmar. Ou não. Sabemos lá. E mesmo que acabe, dez anos é uma pena maior do que a grande maioria das penas dadas a criminosos a sério.

Mais uns segundos a pensar. Enquanto o pensamento vai e vem, folgam os tímpanos.

Abres a porta e… Surpresa! Afinal não estão aos gritos. Mentira, claro que estão. Estava só a brincar. Esses “twists finais” em que tudo acaba bem, são coisa de filme.

Barulheira infernal e continua a vida.

Corazone mole, com extra peperoni.

29 Mar

Fui almoçar a um italiano de que gosto. Não é caro. Mas também não é barato, por isso, assumo sempre que os mínimos estão assegurados. Hoje não foi bem assim. Poupo-vos os detalhes mas tudo se resume comigo a pedir a conta sem almoçar e irritado por ter entrado com água na boca e sair apenas com isso na boca. Água.

Como há pouco tempo até lhes fiz um elogio no Instagram deste pardieiro, desta vez, estava decidido e fazer o contrário. No que dependesse de mim, todos os que me lêem saberiam a merda de serviço que ali estava. Isso mesmo… vocês os cinco (seis se contar com a minha mãe… ou quinze, se contar com as vezes que eu próprio cá venho para aumentar a contagem).

Mas do nada, aparece o empregado de quem – aparentemente – era a responsabilidade e diz-me: “Peço imensa desculpa pelo que aconteceu. A responsabilidade é toda minha. Devia ter passado o pedido a outro colega e esqueci-me do seu. O erro foi meu. Peço mesmo desculpa por isto ter acontecido”. E naquele momento, vieram-me à cabeça todas as vezes que fiz merda no meu trabalho. Todas as vezes que devia ter feito e não fiz. Todas as vezes que devia ter enviado e não enviei. De repente, ele era eu. E ao ser eu, bom… sendo eu… ficava mais fácil de perdoar.

Num ápice, só me apetecia dar-lhe uma gorja e falar com o gerente para lhe dizer que aquilo foi a melhor coisa que podia ter acontecido, até porque ando a ver se perco peso e não é com pizzas que lá vou. Promovam este homem! É de empregados assim que o mundo precisa! Seja qual for o negócio, este empregado é a solução! Ele sabe o que dar e quando dar aos clientes. O cliente tem sempre razão!?? O tanas!! Por vezes, o cliente é um gordo que acha que quer enfardar pizza… onde é que já se viu?

Acabei por escrever na mesma mas não digo onde foi. O que interessa aqui, é que o pior empregado da casa, afinal, desde que se explique com jeitinho, é o melhor.

E pronto. Agora estou cheio de fome.

Bonito serviço. Mau. Mas bonito.

A virtude do do meio.

26 Mar

É no meio que está a virtude, dizem eles. Não sei. Sei é que agora que já me passou o zumbido de um fim-de-semana de chinfrineira constante e uma casa que mais parece um cenário pós-guerra, estou em condições de avançar que no meio… está o maior!

Mesmo quando me pede histórias tão específicas que têm que ter tigres bebés, pterodáctilos, um elefante, uma baleia… e o tubarão que os vai comer a todos. O maior. Mesmo quando me chama aos gritos, a meio da noite, apenas para perguntar se as aranhas existem mesmo. O maior. Mesmo quando decide fingir que é um cão e passa o dia todo de a lamber a cara dos irmãos, sem nunca sair do personagem. O maior. Mesmo quando me ensina, dia após dia, que não há limites para o cansaço e que, por um sorriso, lá arranjamos forma de correr atrás de mais uns pombos, debaixo de chuva, enquanto gritamos “anda cá pomba maluca!“. O maior.

Não foi o primeiro. Nem sequer o último. E no entanto, continua a ser o maior.

E este sábado, completaram-se 4 anos de maioridade. Parabéns, maior!

Apenas uma nota no dia de hoje.

19 Mar

Neste dia do Pai, calhou reparar (mais do que nos anos passados) nos desabafos de malta cuja vida lhes deu pais bastante diferentes do tradicional. Não sei se houve mais malta a “deitar cá para fora“, acho que não. Acho é que quem o fez, desta vez, fê-lo com as palavras certas. Quer dizer, com palavras de que gosto mais, porque cada um o faz como bem entende e como precisa de fazer.

Mas vamos ao que interessa. Por azar, incompetência ou até maldade, algumas dessas pessoas viram-se “obrigadas” a encontrar a figura paternal nos avós, padrastos ou noutros homens mais improváveis. Nalguns casos, em ninguém. Ainda assim, a quase totalidade dessas pessoas, não expressa raiva. Tem pena por ter sido assim, pena do que perdeu mas, muitas vezes, pena dos tais pais. Pena deles, por lhes terem feito isto. Como se num volte-face, fossem esses pais os derrotados.

E são. Pior ainda… lá onde estão, sabem que são. Hoje, não há um pisa-papéis merdoso, um desenho, telefonema, nada. Apenas um vazio a relembrar que perderam.

E porquê esta conversa toda? Apenas para lembrar os pais normais. Pais que, felizmente, não venceram batalhas épicas para terem os seus filhos por perto. Pais que não trabalham dia e noite para lhes proporcionar o básico. Pais que não arrriscam a vida a cada segundo para os proteger e que não são nenhuns heróis fora de série. Homens que são “apenas” pais normais mas que não abdicam de ser isso mesmo. Pais normais.

Porque bem vistas as coisas, cum caraças… ser um pai normal, já é uma sorte do caraças. Para os dois lados.

E pronto, deu-me para isto. Mas tenham calma porque a estupidez tão depressa vai, como vem. Retomaremos a emissão do costume, assim que a infantilidade se voltar a instalar. Não demorará.

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