Vou criar uma startup de auto-motivação.

7 Nov

Quem for à websummit e não sair de lá com uma ideia brutal que o faça ganhar rios de dinheiro, é um mega atrasado mental. Eu, por exemplo, fui lá o ano passado e hoje em dia sou o CEO da…

Vá… não ter ideias não tem nada de mal. Não podemos ser todos ricos.

Aliás, o que seria dos gajos brilhantes se nós não existíssemos para comprar as suas apps que fazem cenas bué fixes e invejá-los de forma doentia até ao fim dos nossos medianos dias!? De que lhes valeria tanto dinheiro, ilhas tropicais, topmodels, carros, aviões, apartamentos, quintas, festas e viagens de sonho… se não existíssemos nós a fazer o contraponto de tudo isso!?

Aaaah pois é… bem vistas as coisas e eles não seriam ninguém se não fôssemos nós. Nós, os que não nos lembrámos de nada e temos que acabar de escrever isto a correr porque está um cliente ao telefone e não o podemos fazer esperar.

No fundo, a websummit é um encontro de falhados a tentar reunir pessoas normais que os ajudem a ser alguém. É isto não é?

Vai daí não é…

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Assim fica mais fácil.

4 Nov

Na mesa do café, ao meu lado, um casal e uma avó discutem a casa que deverão oferecer ao filho. Ou filha, não percebi bem. Dar uma casa já seria espectacular mas, neste caso, estão a decidir se deverá ser mais para o Rato ou para Campo de Ourique, quais as ruas mais bonitas, a falar de luz, de chão de madeira antiga e das obras que poderão ter que fazer. No fim, para cereja no topo do bolo, a mãe ainda diz: “…não devíamos procurar já uma maior? Não tarda muito quer casar e escusava de andar com mais mudanças“.

Assim, sem mais nem menos. Centro da cidade, casinha impecável, sem rendas nem complicações. Daqui a uns anos, quando se fartar, vende e ainda encaixa uma pipa dele.

Porra… nem consegui ter inveja. Fiquei só ali a pensar que na corrida da vida, há malta que já parte muito à frente. Que maravilha.

O desconforto senhores… o desconforto.

29 Out

Façamos um pequeno enquadramento, para perceberem a dimensão da coisa.

Estão a ver aquele grupo de WhatsApp criado – única e exclusivamente – para a partilha de devassidão de tão baixo nível que nem sequer estou seguro que não vá dentro se, um dia destes, a PJ deitar as mãos ao meu telefone? Estão a ver esse grupo!? Pois bem… eu tenho um amigo que é o resultado da fusão de 8 grupos desses, 4 de zoofilia, 26 anãs tailandesas, 9 russos com problemas mentais, 3 nigerianos bêbedos, 1 extintor e 4 latinas com a libido de sete hipopótamos. De um despiste de autocarro com esta malta toda, nasceu o chat de WhatsApp que tenho com este gajo.

Ontem, a minha irmã manda-me uma fotografia de um casaco e pede-me para ir num instante ao Chiado ver ser havia o tamanho pretendido. Como era para a minha mãe, fui. Caso contrário, fosse lá ela .*

Entro na Benetton e uma miúda pergunta-me de imediato se preciso de ajuda. Saco do telemóvel, encosto-me a ela e não perco nem um segundo: “Preciso sim. Diga-me uma coisa… Têm cá isto!?

Quando vou abrir a conversa da minha irmã, ESSE amigo manda-me uma mensagem e eu, sem querer, abro a dele.

O resto, imaginem vocês. Mas como seria de calcular, não têm daquilo na Benetton.

*A Humanidade decidiu que são sempre os mais novos a tratar de tarefas menores e não ia ser eu a mudar isso por causa de uma preguiçosa… estamos onde!? Além disso, aos olhos do juiz Neto de Moura, só por ser miúda e ter tido a veleidade de me pedir para tratar disto, já merecia ter levado dois bofetões com as costas da mão… arriscou muito. Teve sorte.

Primeiras vezes: o “brain freeze”.

15 Out

Pela primeira vez na vida e sem nada que o preparasse para tal, o meu puto pôs um exagero de gelado na boca e sentiu aquela dor horrível do cérebro a congelar. Até podia ter ficado com pena dele. Na verdade, até podia ter impedido que o fizesse. Mas caraças… além de ter ficado a saber mais uma coisa que poderá contribuir para que não seja um alarve como o pai, nada paga o momento de agonia em que gritou no meio da loja: “AAAAAAAH… CARA FIA! CARA FIA! AAAAH!! TÁ A DOÊÊÊ!!“.

Foi tão bom.

Não estou ao nível das minhas feromonas.

15 Out

Sento-me numa esplanada em frente ao mar, completamente deserta. Ninguém. Só eu, o meu café e mil cadeiras vazias à minha volta. Ainda a chávena ia a meio, chega uma miúda, bem gira por sinal, e senta-se LITERALMENTE ao meu lado.

Não foi muito perto de mim, não foi nas minhas costas… foi AO MEU LADO, numa esplanada que não tinha rigorosamente ninguém. Só para que percebam, estava tão ao meu lado que a minha estranheza deixou de ser o facto de ela ali estar e passou a ser o facto de não estarmos a falar. Estava tão em cima de mim que qualquer pessoa que olhasse para nós iria pensar que éramos daqueles casais que estão juntos mas já não têm nada para dizer um ao outro.

Claro que depois de processar o que estava ali a acontecer e tirar as medidas à miúda, era hora deste vosso amigo fazer alguma coisa. Não podíamos ficar ali e simplesmente ignorar o facto de estarmos “juntos”, era hora de mostrar como se comporta um macho alfa nestas situações e ela, provavelmente, até estava à espera de um “move” meu.

Foquei-me na minha descontração natural, imaginei as palavras certas e em tudo o que a vida me ensinou sobre estas abordagens ao sexo oposto. Era hora de mostrar “who’s the man” e agir.

Peguei nas minhas coisas e vim para areia sozinho.

Estavam à espera de quê? Se há coisa que a vida me ensinou é que não fui feito para isto. Que vergonha!

E explicar-lhe que as coisas não são bem assim!?

5 Out

Factos Filha manteve-se no Quadro de Honra da escola. Ena, ena, alegria, alegria, orgulho, orgulho! Acontece que a cerimónia de entrega dos diplomas, bateu exactamente no mesmo dia em que eu teria que estar numa reunião importante em Madrid.

Eu, que até à data tenho conseguido a proeza de não faltar aos seus “big moments”, lá tive que lhe explicar que havia um delicado conflito de agendas.

Depois de me ouvir, com o ar mais natural do mundo, limitou-se a perguntar: “Xiii… que chatice. E o que é que vais fazer sobre essa reunião? Podes mudar a data? Se não, não vais poder ir.“.

Pimba… primeira chapada de realidade. 

Lá lhe expliquei que as coisas não funcionavam bem assim. Que o mais certo era não poder ir vê-la a receber o diploma. Que era trabalho e ainda por cima importante.

Então mas o trabalho é mais importante que os filhos!?
POOOW! Segunda chapada! E era oficial… estava lançada a discussão filosófica sobre o que realmente importa nesta vida. E logo com uma criança de 9 anos. Bonito serviço.

Claro que o argumento “sem trabalho não há colégio, sem colégio não há quadro de honra, nem coleguinhas, nem casa, nem comida e – provavelmente – acabaria num orfanato depois do pai morrer num tiroteio enquanto assaltava uma ourivesaria para obter algum rendimento no mercado negro” não surtiu o efeito desejado. Optei então numa vitória pelo cansaço e avancei para as conversas sobre responsabilidade que, obviamente, matam qualquer criança à segunda frase (qualquer criança e a mim). Passado um bocado, já me dizia que não fazia mal. Que se não conseguisse, tudo bem… que quando subisse ao palco, saberia que eu gostaria de lá estar mas que não podia.

PORRA. Pior a emenda que o soneto. Venci… mas de nó no estômago.

A entrega foi ontem.

Com zero garantias, lá se marcou o vôo das 07h. Lá se conseguiu o vôo das 18h para o regresso. Lá se beneficiou de termos uma hora a menos deste lado da fronteira. Lá correu bem a estratégia de ataque ao trânsito na chegada a Lisboa em plena hora de ponta (por falar nisso… conhecem o serviço EasyParking!? Fiquei mega fã!). E melhor ainda, lá se teve a sorte daquilo atrasar um bocado à boa maneira portuguesa e – minutos antes da Factos Filha subir ao palco – lá estava eu, a mostrar-lhe que nada é mais importante que os nossos filhos.

Bastava um atraso do avião. Bastava um acidente na 2a Circular. Bastava… mas não bastou.

E assim continuo a fazê-la acreditar que as coisas são como deviam ser.

Embora não sejam.

Gordo que é gordo.

1 Out

Gordo que é gordo, deita-se maldisposto por causa do exagero de presunto e queijo que comeu ao jantar, lamenta ter comido uma travessa de lagartinhos já em esforço, acorda mil vezes à noite porque acha que lhe rebentaram as águas (tinto neste caso) e vai parir uma tarte de amêndoa com doce de ovos mas, mal abre os olhos pela manhã, tem apenas um pensamento… PEQUENO-ALMOÇO!

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