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E 10 anos depois, o chão voltou a tremer.

15 Jan

Não se falou noutra coisa o dia todo. Sentiram? Sentiste? Onde estavas quando o chão tremeu? Tiveste medo? E o epicentro, onde foi?

Para mim, foi na maternidade do Garcia de Orta, às 16h00 do dia 15 de Janeiro de 2008. Desde então, foram réplicas atrás de réplicas. E das mais fortes às mais fracas, senti cada uma delas como se o mundo parasse de rodar de cada vez que a vejo.

E pára mesmo. Claro que só para mim. Para ela e para o resto do mundo, o planeta continua a girar como se nada fosse, obrigando-me a acelerar para os acompanhar de cada vez que percebo que me atrasei uns segundos em todos os fusos horários do mundo, só porque a ouvi chamar-me “pai”.

Factos Filha, faz hoje 10 anos. Dez.

Duas mãos cheias de dedos para contar cada um dos anos que passaram. Uma década. A primeira de muitas. Uma década em que passou de querer dormir comigo, a ter vergonha que a abrace em frente aos amigos. Em casa, quando ninguém está a ver, continua a querer que me deite todas as noites ao lado dela. E eu deito. Deitarei sempre, quero lá saber.

E apesar da vergonha dela, continuarei a abraçá-la em frente aos amigos nas décadas que temos pela frente. E a beijá-la. E a fazê-la rir, mesmo quando se segura para não admitir que achou piada.

Se tive medo? Há dez anos que não tenho outra coisa. São dez anos a perceber o que é isso de nos roubarem o coração e a sentir o mundo tremer.

Mas que se lixe. Basta um abraço para saber que não nos deixaremos cair.

O mundo que trema.

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Poderei finar-me aqui.

25 Dez

Preciso de ginásio, já.

Mas já, não é assim que possível. Não é quando arrancar o ano. Não é nesta semana entre o Natal e o Ano Novo. É já. Agora. Preciso de ir para uma passadeira agora e caminhar até 18 de Fevereiro. Depois, eventualmente, estarei em condições de fazer qualquer coisa além de caminhar.

E tudo isto com uma equipa do INEM sempre ao meu lado, para evitar que morra ou que o meu corpo expluda caso inspire demasiado ar. É no ponto em que estou, nem ar posso ingerir.

A minha pele esticou o máximo que pode, a minha barriga inchou tanto que se tento levantar um braço, rasgo o tronco e desabarão doces e bacalhau suficientes para alimentar quinze crianças subnutridas até perfazerem trinta anos.

É assim que estou. Parece exagero? Mas não é.

Tirando isso, estou a adorar o Natal.

PS: Se devia ter vergonha de expor estes problemas “primeiro mundanos” assim, quando há gente por esse mundo fora (e até ao virar da esquina) a passar dificuldades!? Se calhar devia… mas entretanto já comi um exagero e nenhuma dessas pessoas foi capaz de aparecer quando era preciso que eu cometesse tamanha estupidez. E se estão assim tão preocupados, não lhes mostrem este texto. E se forem os próprios a ler isto, bom… então nesse caso… PAREM DE GASTAR DINHEIRO NA INTERNET E VÃO MAS É VER SE COMEM QUALQUER COISA! Irresponsáveis.

Empresto criança.

21 Dez

(Olá filho, um dia vais saber ler e – com um bocadinho de azar – poderás bater com os olhinhos neste texto e perceber não foi escrito para os teus irmãos… foi mesmo para ti. Quando esse dia chegar, provavelmente, direi que estava a brincar. Que era tudo uma tentativa falhada de ter piada. Mas a verdade, é que são sinceros desabafos de quem anda a cair de sono HÁ DIAS!!! Continuemos…)

É OFICIAL! Já estou em condições de avançar.
O meu terceiro filho, é um bebé de merda.

Principalmente à noite. De dia até é bem querido. Todo redondinho e cheio de sorrisos que só dá vontade de engolir. De engolir… a ele. De engoli-lo, é isso que quero dizer. Não sejam porcos quando se está a falar de um bebé, pelo amor de Deus. Mas pronto, já que falaram nisso… se precisarem de dar uma motivação extra lá em casa e convencer alguém a… coiso… eu mando umas fotos do puto para vos ajudar nessa missão. Mas vai toda pixelizada porque não o quero nesse forrobodó nojento que é a vossa vida.

VOLTEMOS AO QUE INTERESSA…

A verdade é que tenho um bebé com defeito ao nível das noites e o ideal era poder devolvê-lo mas isto dos filhos funciona pior que as encomendas online e agora que tenho, literalmente, o menino nos braços, não há nada que possa fazer. Quer dizer… há. Mas são tudo opções super mal vistas pela sociedade.

No entanto, podia emprestar a casais que estão na dúvida se devem ter filhos ou não. Ficavam com ele umas noites e depois logo me diziam se a ideia de constituir família continuava a ser assim tão bonita. Ajudavam-me e eu ajudava-os tanto que jamais saberiam como me agradecer. Amigos para a vida, era o que era. Uma “win-win situation“, como dizem os estrangeiros e todos os profissionais de marketing que não sabem falar português.

Não me lixem, isto é uma ideia vencedora! Ninguém gasta dinheiro e a curto, médio e longo prazo, toda a gente ganha com a experiência.

Como é pessoal, interessados? É mandar mensagem privada.
E sim… acabo de reparar que estou a traficar uma criança online.

Mas ser pai também é muito isto.

PS: E agora vou para um jantar de natal que deve acabar tarde. Se assim não for, fico no carro a dormir e a fingir que ainda estou no Lux.

Graças a Deus, não sou médico.

13 Dez

Ainda fico espantado quando percebo que sou um gajo de 40 anos a “dizer coisas” em reuniões de trabalho, onde a minha opinião é respeitada.

Ok, respeitada fui eu que inventei. Digamos apenas que me tratam com o carinho de quem interage com uma criança com necessidades especiais.

Mas seja como for, desde quando sou uma pessoa dessas com responsabilidades? Terão eles a noção que passo a reunião toda a torcer para que pessoas caiam ou que tenham uma cólica tão grande que sejam obrigados a dizer: “Neste mercado há uma tendência clara para… aaargh… desculpem mas tenho que ir fazer cocó!”.

Na minha cabeça, ainda ontem estava nas ruas do Miratejo, de chapéu para trás a ver se tinha cinquenta escudos para torrar no salão de jogos e agora estou aqui sentado, de caneta na boca e olhar introspectivo para parecer que estou mesmo focado no que raio estão para ali a dizer.

O mundo ao contrário, é o que é…

PS: Para efeitos legais e caso a administração da minha empresa veja isto e saiba quem sou, não estou numa reunião a sério. É só a brincar. Quer dizer, se forem as pessoas que estão nesta reunião, claro que é super a sério e estou hiper focado nesses dados tão espectaculares que estão a partilhar. Longe de mim estar quase a falecer com a vossa conversa da treta. LONGE DE MIN!

PS2: Hummm… foi um amigo que escreveu isto. É melhor assim.

Se é a isto que chamam “espírito de equipa”, vamos longe…

24 Nov

Um homem entra na casa de banho, cheio de coisas na mão e já meio desesperado para despachar o seu xixizinho. Ou xixizão, neste caso. O telemóvel toca com aquela chamada importante de um cliente com o qual temos que falar urgentemente e que se não for agora, sabe Deus quando voltará a ser.

Conseguimos segurar as coisas todas com um dos braços, manter o equilíbrio num chão escorregadio e, já de telemóvel na outra mão para atender o cliente, dizer ao colega que também está no wc: “Importas-te de me segurar aqui na pila enquanto atendo esta chamada!? É super importante!”.

Levar com aquele olhar de “estupefacção meets desprezo” de quem não é capaz de mexer uma palha para ajudar um amigo e acabar por perder a oportunidade de fechar um negócio.

Porra. Há pessoas que são incapazes de ajudar o próximo. E ainda me mandou para sítios que nem vou reproduzir aqui. Que gentinha.

Enfim, fiz o que pude. Mas depois não me venham cá falar de espírito de equipa nesta empresa.

Epá… sou uma pessoa simples. Não me façam isto.

18 Nov

Ao telefone:

“A Rita comprou duas rosas e duas túlipas. Gastou 24€. O Zé comprou duas rosas e uma túlipa. Gastou 17€. Quanto custa uma rosa e uma túlipa?”

Factos Filha: Pai, consegues ajudar-me a perceber a lógica de como se resolve este problema?

Factos: Claro. Então… pensa lá um bocado. Basta pensares que… ora bem, então… hmm… uma rosa… coiso… duas tulipas… 24€… então… 17€… Bom, tu é que tens que saber como se faz isto. Não te vou resolver o problema. Tens que pensar. Vamos desligar o telefone para te concentrares nisso e depois volto a ligar.

Recorri à ajuda de casa para obter a resposta certa sem a pressão de ter alguém do outro lado a controlar o tempo e sem assumir que, assim de repente, não estava a chegar lá. Eu, um super-herói, claro que não ia ter dificuldades com um problema da quarta classe.

Lá liguei de volta, dei algumas pistas para ajudar a desbloquear o raciocínio e fiz o papel de pai super inteligente. Quando achava que a prova estava superada e que continuava a ser o maior…

Factos Filha: Obrigado pai! Já percebi. És tão inteligente! Então olha esta que fiz ontem e vê lá se sabes a resposta:

MAS ISTO NÃO VAI PARAR NUNCA!? MAS SOU O QUÊ? ALGUM EINSTEIN!??

Enfim… estou a tentar arrastar o melhor que posso mas parece-me óbvio que está quase a descobrir que tem um pai bastante medíocre ao nível do dilema matemático. E a outros níveis também. Mas vamos por partes. Aliás… não é o todo que é maior que a soma das partes!? Ok… é melhor não me meter por aí.

Leões? Tigres? Elefantes? Naaaa…

11 Nov

Factos: Filho, hoje vamos ao zoo e vais poder ver montes de animais! Estás contente?

Factos do Meio: Siiiiiiiim!

Factos: E que animais é que queres ver?

Factos do Meio: Vamos à selva!!

Factos: Sim filho, é mais ou menos isso. Mas que animais é que queres mesmo ver?

Factos do Meio: GATOS! RATOS! E… MOSCAS!!!

Gatos, ratos e moscas. Porra… estes putos sabem mesmo desmoralizar uma pessoa.

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