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Primeiras vezes: o “brain freeze”.

15 Out

Pela primeira vez na vida e sem nada que o preparasse para tal, o meu puto pôs um exagero de gelado na boca e sentiu aquela dor horrível do cérebro a congelar. Até podia ter ficado com pena dele. Na verdade, até podia ter impedido que o fizesse. Mas caraças… além de ter ficado a saber mais uma coisa que poderá contribuir para que não seja um alarve como o pai, nada paga o momento de agonia em que gritou no meio da loja: “AAAAAAAH… CARA FIA! CARA FIA! AAAAH!! TÁ A DOÊÊÊ!!“.

Foi tão bom.

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Não estou ao nível das minhas feromonas.

15 Out

Sento-me numa esplanada em frente ao mar, completamente deserta. Ninguém. Só eu, o meu café e mil cadeiras vazias à minha volta. Ainda a chávena ia a meio, chega uma miúda, bem gira por sinal, e senta-se LITERALMENTE ao meu lado.

Não foi muito perto de mim, não foi nas minhas costas… foi AO MEU LADO, numa esplanada que não tinha rigorosamente ninguém. Só para que percebam, estava tão ao meu lado que a minha estranheza deixou de ser o facto de ela ali estar e passou a ser o facto de não estarmos a falar. Estava tão em cima de mim que qualquer pessoa que olhasse para nós iria pensar que éramos daqueles casais que estão juntos mas já não têm nada para dizer um ao outro.

Claro que depois de processar o que estava ali a acontecer e tirar as medidas à miúda, era hora deste vosso amigo fazer alguma coisa. Não podíamos ficar ali e simplesmente ignorar o facto de estarmos “juntos”, era hora de mostrar como se comporta um macho alfa nestas situações e ela, provavelmente, até estava à espera de um “move” meu.

Foquei-me na minha descontração natural, imaginei as palavras certas e em tudo o que a vida me ensinou sobre estas abordagens ao sexo oposto. Era hora de mostrar “who’s the man” e agir.

Peguei nas minhas coisas e vim para areia sozinho.

Estavam à espera de quê? Se há coisa que a vida me ensinou é que não fui feito para isto. Que vergonha!

E explicar-lhe que as coisas não são bem assim!?

5 Out

Factos Filha manteve-se no Quadro de Honra da escola. Ena, ena, alegria, alegria, orgulho, orgulho! Acontece que a cerimónia de entrega dos diplomas, bateu exactamente no mesmo dia em que eu teria que estar numa reunião importante em Madrid.

Eu, que até à data tenho conseguido a proeza de não faltar aos seus “big moments”, lá tive que lhe explicar que havia um delicado conflito de agendas.

Depois de me ouvir, com o ar mais natural do mundo, limitou-se a perguntar: “Xiii… que chatice. E o que é que vais fazer sobre essa reunião? Podes mudar a data? Se não, não vais poder ir.“.

Pimba… primeira chapada de realidade. 

Lá lhe expliquei que as coisas não funcionavam bem assim. Que o mais certo era não poder ir vê-la a receber o diploma. Que era trabalho e ainda por cima importante.

Então mas o trabalho é mais importante que os filhos!?
POOOW! Segunda chapada! E era oficial… estava lançada a discussão filosófica sobre o que realmente importa nesta vida. E logo com uma criança de 9 anos. Bonito serviço.

Claro que o argumento “sem trabalho não há colégio, sem colégio não há quadro de honra, nem coleguinhas, nem casa, nem comida e – provavelmente – acabaria num orfanato depois do pai morrer num tiroteio enquanto assaltava uma ourivesaria para obter algum rendimento no mercado negro” não surtiu o efeito desejado. Optei então numa vitória pelo cansaço e avancei para as conversas sobre responsabilidade que, obviamente, matam qualquer criança à segunda frase (qualquer criança e a mim). Passado um bocado, já me dizia que não fazia mal. Que se não conseguisse, tudo bem… que quando subisse ao palco, saberia que eu gostaria de lá estar mas que não podia.

PORRA. Pior a emenda que o soneto. Venci… mas de nó no estômago.

A entrega foi ontem.

Com zero garantias, lá se marcou o vôo das 07h. Lá se conseguiu o vôo das 18h para o regresso. Lá se beneficiou de termos uma hora a menos deste lado da fronteira. Lá correu bem a estratégia de ataque ao trânsito na chegada a Lisboa em plena hora de ponta (por falar nisso… conhecem o serviço EasyParking!? Fiquei mega fã!). E melhor ainda, lá se teve a sorte daquilo atrasar um bocado à boa maneira portuguesa e – minutos antes da Factos Filha subir ao palco – lá estava eu, a mostrar-lhe que nada é mais importante que os nossos filhos.

Bastava um atraso do avião. Bastava um acidente na 2a Circular. Bastava… mas não bastou.

E assim continuo a fazê-la acreditar que as coisas são como deviam ser.

Embora não sejam.

Gordo que é gordo.

1 Out

Gordo que é gordo, deita-se maldisposto por causa do exagero de presunto e queijo que comeu ao jantar, lamenta ter comido uma travessa de lagartinhos já em esforço, acorda mil vezes à noite porque acha que lhe rebentaram as águas (tinto neste caso) e vai parir uma tarte de amêndoa com doce de ovos mas, mal abre os olhos pela manhã, tem apenas um pensamento… PEQUENO-ALMOÇO!

Um pequeno passo para o homem… e pronto, é só isso.

19 Set

Gostava que vissem o ar de estupefacção do meu puto do meio, com a festa que se fez nesta casa porque o mainovo já sabe andar. Tudo no olhar dele dizia: “Foda-se, a sério!?? Eu faço essa merda há dois anos. Eu salto em cima da vossa cama e ninguém liga. Eu corro pela casa fora e só me sabem é mandar estar quieto por causa do barulho. E agora está tudo a delirar com uns passinhos de merda de um gajo que mais parece um anão com parkinson!?? Epá… não me fodam, a sério. Isto já é demais.”.

Cinco continentes para conhecer, mil aventuras para viver, tudo por fazer… o mainovo deu hoje os primeiros de biliões e biliões de passos. Para já, no corredor cá de casa.

Não impressionou o irmão mas caraças, nós sabemos bem que “começou a viagem”.

Rapaziada amiga, este comunicado é para vocês!

17 Set

Lady Factos passou este fim-de-semana com umas amigas não sei onde. Quer dizer, sei… mas não interessa onde ela andou. O que interessa é onde eu andei, para que ela pudesse gozar o seu merecido descanso. Quase não saí de casa mas sinto que conheci o Vietname, Angola, Guiné, Ex-Jugoslávia, Síria, Libéria… sempre no auge dos seus períodos mais negros.

Isso mesmo. Desde sexta com os três terríveis à minha guarda. Desde sexta, sozinho, a aviar banhos e jantares (ok, a parte do banho nunca aconteceu… caguei). Desde sexta, a despachar biberões e fraldas fedorentas. A acordar de madrugada em todos os turnos. A brincar com um, enquanto embalo outro e corrijo os tpc’s de outra. Desde sexta-feira, a tentar respirar fundo e manter a calma para não atirar um, dois ou até mesmo os três, pela janela fora… falhando de propósito mas acertando na parede, deixando-os inanimados por um par de horas.

Mas porquê esta conversa toda!? Para mostrar a todas as “blogosfémeas” que além deste corpinho de sonho (sim, porque há pessoas que sonham com gordos) e palminho de cara, também sou menino para assegurar – sozinho – a sobrevivência de três crianças pequenas a meu cargo!? Também.

Mas o que interessa mesmo é que, depois disto, os créditos estão ganhos, os pontos acumulados e os ventos sopram loucamente a meu favor. Aquelas férias em Fortaleza só com a rapaziada!? É MARCAR! Aquele fim-de-semana com aqueles amigos que não são de confiança!? É DIZER QUANDO! Aquela escapadinha romântica para o sul de Espanha, apenas com a rapaziada lá do bairro!? JÁ DEVÍAMOS TER ARRANCADO!! Aquela despedida de solteiro de um gajo que nem sei quem é mas à qual vão uns quantos gajos lá do escritório!?? SIGA!!

Aaaah… bem diz o povo que para colher é preciso semear e que depois da tempestade vem sempre a bonança (e tempestade aqui aplica-se que nem uma luva)…

Vá pessoal, aguardo sugestões. VENHA A BONANÇA!

Aldeia que me viu nascer.

16 Set

Estou na casa dos meus pais em Miratejo. Enquanto tento que os meus filhos durmam a sesta, lá em baixo, dois putos tentam esfaquear-se por qualquer coisa que ainda não consegui perceber. Seja o que for, fico contente por ver que as novas gerações estão a saber perpetuar o nome do meu bairro e a preservar a arte ancestral de tentar “chinar” o próximo debaixo de clássicos como “anda cá agora, ó cabrão do caralho!“; “filha da puta, estás a olhar!??” ou o sempre pitoresco “segurem-me que eu mato-o!“.
Bonito.

#semeacordamosputos_vaivoaráguaaferver

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