Não sei se foi da descida das temperaturas mas hoje foi novamente dia de… ALERTA CASTANHO!

11 Jan

Vamos ao que interessa. Existem wc’s para Homens, Mulheres, Deficientes, Crianças e Fraldários. Mas falta um. O wc para “Adultos Sozinhos Com Uma Criança de Dois Anos Que Não Pára Quieta e Que Precisam Urgentemente de Avançar Para um Nr2”!

Parece parvo, eu sei. Mas vão por mim… na hora H, isto faz todo o sentido!

Pensem comigo. Estamos a falar de uma criança sobre a qual não temos qualquer controlo. É escusado dizer “fica aí quietinho e não mexas em nada, enquanto o pai faz aqui um “air toilet” (um género de “air guitar” mas em que se faz um agachamento que simula a existência de uma sanita que substitui aquela onde jamais nos sentaremos)”. Podem dizer o que quiserem mas a verdade é que no momento em que estiverem com a vossa agilidade reduzida em 95%, ele vai:

A) abrir a porta e sair.

B) sentar-se no chão e chapinhar numa poça de sabe Deus o quê.

C) aproveitar que estão em modo “air toilet” e mexer na “real toilet” antes de pôr as mãos na boca.

D) pegar no piaçaba que lá está e desatar a abaná-lo no ar como se fosse um mata-moscas que salpica tudo em seu redor.

É isto que vai acontecer.

E como tal, no momento em que o meu cérebro colocou o meu corpo em Alerta Castanho, eu soube que a contagem decrescente tinha começado e mais valia esquecer tudo o que me tinha levado àquele centro comercial. Era hora de fugir para casa… e rápido.

Agora, o que eu não estava a contar é que a meio da nervosa viagem para casa, o meu cérebro comunicasse ao resto do corpo que isto ia ser um desafio de Grau 10 (numa escala de 0 a 5) e que o que eu pensava serem 15min de segurança, se tinham transformado em apenas cinco.

04m59s.

04m58s.

04m57s.

04m56s…

Ai minha Nossa Senhora! Acelerei o mais que pude mas o impensável aconteceu.

Calma. Não foi isso.

O impensável era estar trânsito parado no viaduto Duarte Pacheco às onze da manhã! Comecei a fazer todos os caminhos alternativos. Rezei aos deuses do Waze que me teletransportassem para casa. Conduzi firme e hirto, já quase sem me conseguir sentar. E lá consegui chegar à minha rua, onde a essa hora deveria ser fácil estacionar.

Não foi. Nem um lugar. Mais tempo perdido em voltinhas, até finalmente estacionar nos confins do inferno.

Durante todo este processo, o meu maquiavélico cérebro não parou de me tentar quebrar. Primeiro, com a constante ideia (que me esforcei por ignorar) de que não valia a pena, que as coisas são como são e que mais valia deixar-me ir e encarar aquilo como um azar que aconteceu. Um bocado como quando no ginásio nos diz que não aguentamos mais mas afinal ainda havia forças para fazer mais uma repetição. Não cedi! E como tal, o maldito cérebro resolve torturar-me e só me vinham à cabeça imagens do momento em que já estaria em casa a tratar das minhas coisas em segurança. Só para ver se eu me distraía. Não distraí.

Mas quando parei o carro e pensei sair, tive uma cólica lancinante, daquelas de virem lágrimas aos olhos enquanto me contorcia de dores no meio do carro, pernas em figas para não ceder e o puto no banco de trás – vá-se lá saber porquê – com a língua de fora a fazer aqueles barulhos de traque contínuo. Tudo a ajudar.

A dor acalma e penso “É agora! Tenho aqui uma janela de oportunidade até à próxima!”. Saio a correr, pego no puto, vou numa caminhada rápida mas sem passadas muito largas em direcção a casa. Vejo a porta do prédio e entro a pensar que o pior já estava. Do nada, uma voz grita: “não deixe fechar por favor!”. Afinal, além do puto ao colo, ainda tive que levar com um desconhecido atrás… sem que o próprio sonhasse com os riscos que corria a cada lanço de escadas.

Entrei em casa. Tudo para o meio do chão à bruta. Criança incluída. O resto é história e um final feliz.

Mas isto tudo para dizer que sim… devia haver um wc para adultos com crianças em situações limite.

Pensem nisto.

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