E explicar-lhe que as coisas não são bem assim!?

5 Out

Factos Filha manteve-se no Quadro de Honra da escola. Ena, ena, alegria, alegria, orgulho, orgulho! Acontece que a cerimónia de entrega dos diplomas, bateu exactamente no mesmo dia em que eu teria que estar numa reunião importante em Madrid.

Eu, que até à data tenho conseguido a proeza de não faltar aos seus “big moments”, lá tive que lhe explicar que havia um delicado conflito de agendas.

Depois de me ouvir, com o ar mais natural do mundo, limitou-se a perguntar: “Xiii… que chatice. E o que é que vais fazer sobre essa reunião? Podes mudar a data? Se não, não vais poder ir.“.

Pimba… primeira chapada de realidade. 

Lá lhe expliquei que as coisas não funcionavam bem assim. Que o mais certo era não poder ir vê-la a receber o diploma. Que era trabalho e ainda por cima importante.

Então mas o trabalho é mais importante que os filhos!?
POOOW! Segunda chapada! E era oficial… estava lançada a discussão filosófica sobre o que realmente importa nesta vida. E logo com uma criança de 9 anos. Bonito serviço.

Claro que o argumento “sem trabalho não há colégio, sem colégio não há quadro de honra, nem coleguinhas, nem casa, nem comida e – provavelmente – acabaria num orfanato depois do pai morrer num tiroteio enquanto assaltava uma ourivesaria para obter algum rendimento no mercado negro” não surtiu o efeito desejado. Optei então numa vitória pelo cansaço e avancei para as conversas sobre responsabilidade que, obviamente, matam qualquer criança à segunda frase (qualquer criança e a mim). Passado um bocado, já me dizia que não fazia mal. Que se não conseguisse, tudo bem… que quando subisse ao palco, saberia que eu gostaria de lá estar mas que não podia.

PORRA. Pior a emenda que o soneto. Venci… mas de nó no estômago.

A entrega foi ontem.

Com zero garantias, lá se marcou o vôo das 07h. Lá se conseguiu o vôo das 18h para o regresso. Lá se beneficiou de termos uma hora a menos deste lado da fronteira. Lá correu bem a estratégia de ataque ao trânsito na chegada a Lisboa em plena hora de ponta (por falar nisso… conhecem o serviço EasyParking!? Fiquei mega fã!). E melhor ainda, lá se teve a sorte daquilo atrasar um bocado à boa maneira portuguesa e – minutos antes da Factos Filha subir ao palco – lá estava eu, a mostrar-lhe que nada é mais importante que os nossos filhos.

Bastava um atraso do avião. Bastava um acidente na 2a Circular. Bastava… mas não bastou.

E assim continuo a fazê-la acreditar que as coisas são como deviam ser.

Embora não sejam.

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