Viciado no jogo dos Dados

30 Jun

Estou há três dias sem dados no meu telemóvel. Coincidentemente, neste exacto período de tempo, a minha empresa ficou sem wifi por causa não sei do quê (coincidentemente ou não… porque estou convicto que Deus adora parar de salvar criancinhas em África e impedir outro tipo de calamidades, só para arranjar maneiras de atazanar a minha vida).

Ou seja, desde que saio de manhã que fico impossibilitado de contactar com o mundo real, o mundo onde tudo acontece, o mundo onde vivem as pessoas fixes que comem coisas espectaculares, o mundo onde toda a gente viaja para os sítios onde eu queria estar e fazem-no sempre com altos corpaços (sim, sigo pazadas de tesudas por essas redes sociais a fora… coisas cá minhas).

No fundo, estou completamente excluído da vida que interessa! E para ser sincero, nem sei bem que raio fazer com esta vida que me sobra. Vou fazer o quê!? Falar com as pessoas cara a cara!? Olhar-lhes nos olhos e habilitar-me a que respondam e comecem a falar comigo? Com um bocado de azar, ainda me dão palmadinhas nas costas ou outro tipo de contactos físicos completamente desnecessários. Mas estamos onde!? 1986!??

Ontem, quando dei por mim, estava a falar com a minha colega do lado, quando tudo o que preciso é ver as fotos dela em bikini no fim-de-semana ou aquele álbum “Verão 2010” em que ela estava bem mais boa (estes últimos sete anos foram tramados para ela, coitada…). Já esta manhã, vi-me na obrigação de “fazer tempo” para entrar num sítio e não me consegui lembrar de como é que se espera por alguma coisa, sem estar com a cabeça enfiada num telemóvel. Claro que fiquei na mesma a olhar para um ecrã onde nada acontecia, não fossem as outras pessoas querer falar sobre cenas.

Mas, curiosamente, nesta vida fora das redes, as outras pessoas parecem-me tão normais quanto eu. Ninguém está loucamente feliz com o que está a fazer, nem tão pouco está a fazer algo que mereça ser anunciado ao mundo. E também havia lá gordos. E gajas normais. E malta a comer pequenos-almoços que, pasmem-se, não passavam de sandes e galão. Onde já se viu viver uma vida assim!?

Ainda bem que logo à meia-noite volto a ter dados. Ainda por cima vou estar num sítio óptimo para meter inveja ao comum dos mortais, que não sonha porque raio ali estou.

Sinto que vai ser o meu momento Cinderella.
Perfeito para voltar a fingir uma vida.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: