Clooney… da vida real.

30 Nov

Homem de trinta e muitos anos, está ao balcão de um bar de hotel. Fato preto sem gravata, camisa branca imaculada. Ao seu lado, uma mulher. Também ela trintona, embora o corpo diga que são menos. Apesar da forma sedutora como se mexe, é o olhar que o prende. Aqueles olhos que não o largam e que tentam perceber o que faz ele ali. Estará sozinho? Que tipo de homem será? Disposto a uma aventura? Saberá guardar um segredo? Sem respostas, ela vai fantasiando. Ele gostava de lhe dizer tudo isso mas… e ela? Quem será ela? Será de confiança? Se ao menos surgisse um desbloqueador de conversa. Ao pegar na carteira para pagar, caem algumas coisas. Um cartão onde podia ler-se “Serviços Secretos“, dois passaportes com diferentes nacionalidades e um microchip com uma inscrição em cirílico. Torna-se impossível aguentar tanta curiosidade e ela resolve avançar…

Isto é nos filmes.

Eu, quando abro a carteira para pagar seja o que for, caem sempre a merda dos cartões do Continente e do Pingo Doce. É que não falha! É como se o universo quisesse garantir que a mulher no bar do hotel não tivesse dúvidas sobre o gajo que ali está. Um quase quarentão, caçador de descontos em grandes superfícies. E atenção que não é um cartão do Corte Inglés, onde é tudo melhor e mais caro, deixando no ar a possibilidade de ser um solteirão com poder de compra. Nada disso. É mesmo do Continente por causa dos descontos nas fraldas e do Pingo Doce por causa dos produtos de marca própria que são bem fixes. E não cai um. Caem os dois para que fique claro que este menino é um ranhoso que não desperdiça uma promoção, esteja ela em que lado da barricada estiver.

Já para não dizer que raramente ando de fato. E quando ando, é porque andei em reuniões o dia todo e a camisa já está tudo menos imaculada. Aliás, só devo ter ido ao bar porque o wifi no quarto era uma merda e não dava para ver Netflix em condições. Já vou estar irritado com isso e sem paciência para conversas com uma senhora que me está a roubar tempo de House of Cards. Nem vou perceber que é engate. Limitar-me-ei a um educado sorriso amarelo, enquanto penso: “Raisparta esta gaja que tirou a minha senha e agora não se cala!“.

Honestamente, na vida real, até agradeço que não metam conversa comigo. Tristeza.

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