Voltei a mexer-me.

18 Jul

Depois de uma investida no mundo do exercício físico, esse lugar tenebroso onde – na verdade – ninguém quer estar, estive parado durante praticamente 3 meses. Depois de umas dores nas costas, uma dor lixada num joelho e uma pontada num ombro causada por uma adolescência de violenta masturbação, achei que o melhor era parar uns tempos e fazer uma ronda de médicos, antes que se soltasse alguma peça.

E sabem como reagiu o meu corpo!? Imaginam o que foi para o meu corpo, perder os hábitos adquiridos nos últimos meses!? FOI ESPECTACULAR!!!

Foi um processo de habituação super rápido, indolor e até com elevados níveis de prazer. Ao fim de dois dias sem acordar cedo para ir arrastar-me pelo chão a arfar que nem um porco, o meu corpo estava super alinhado com a nova vida. Três meses em que tudo voltou a fazer sentido. Não acordar cedo para levar tareias, beber toda a cerveja que os festivais têm para nos dar, desfrutar de todos os bares abertos, ir a tudo o que é tasco de jeito na cidade, fumar cigarro aqui, maço ali e deixar-me andar.

Já o inverso… não foi tão simples.

Esta manhã, depois de três meses em que acabei por não ir a médico nenhum e com dores que se limitaram a diminuir ligeiramente, enchi-me de coragem e fui treinar. Como reagiu o meu corpo a este regresso a uma vida mais saudável!? PESSIMAMENTE.

Mal o despertador tocou pela fresca, senti a voz do meu corpo a ecoar dentro de mim: “Ei, ei, ei!! Que é que estás a fazer!?? Já não tínhamos chegado à conclusão que tu não és uma dessas pessoas!? Mas que raio de estupidez vem a ser esta agora!?“.

Como não desisti, continuou: “Ok, ok, vamos ter calma. Não te precipites e conversamos um bocado enquanto fazes o teu xixi matinal, até porque não dá para falar com um homem nesse estado de prontidão“.

Já no wc, retomou: “Olha lá, escuta lá uma coisa que te quero dizer. Sou o teu corpo e acho que mereço alguma atenção. Durante os tempos que andaste a treinar feito parvo, a acordar cedo e a tentar ter os cuidados mínimos com a alimentação… chegaste a ser convidado para capa de alguma dessas revistas masculinas!? Foste abordado na rua por mulheres que não controlavam a vontade de se agarrarem a um corpo de sonho!? Quantas vezes é que, na noite, mulheres indiscriminadas te enfiaram as mãos nas calças para confirmar se o armamento estava ao nível do quartel!? Estamos a falar de números da ordem das ZERO VEZES, certo!? Não achas que isso te deveria fazer pensar!?“.

Ignorei e fui treinar na mesma.

Mas não devia. Três meses é igual a nunca ter treinado na vida. O meu corpo sabia o que estava a dizer e eu devia ter respeitado a sua vontade. Arfei que nem um porco, não consegui chegar ao final do treino e estive a minutos de precisar de uma equipa de emergência médica.

Agora que já consigo articular os dedos e estou aqui a escrever, quero apenas que saibam que o nosso corpo sabe sempre mais que nós. Não caiam na cantiga motivacional de que o poder está todo na cabeça e que devemos contrariar as nossas fraquezas. Isso é tudo uma treta. Deu certo com o Éder mas é mais raro que ganhar um euromilhões. E apesar do golo e daquele caparro de sonho, também não me lembro de o ver passear uma “Victoria Secret”. Nem uma modelo das outras. Nem tão pouco uma stripperzeca manhosa mas podre de boa. Nada.

Como vêem, nem todos os esforços valem a pena. E agora vou arrastar-me até ali ao Monumental, para comer um hamburguer que me faça esquecer esta manhã.

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