Dá Deus nozes…

2 Dez

Imaginem uma aula de crossfit às oito da matina. Imaginem a satisfação que um ser humano normal tem por estar naquele local àquela hora.

Agora juntem-lhe um “coach” que acordou bem-disposto e não se cala com piadinhas, provocações, risota e merdas afins (sim… coach… porque o crossfit é estrangeiro e não há cá nomes manhosos tipo “treinador” ou merdas lusitanas do género).

Subitamente, todo contente porque “é Natal”, resolve pôr umas músicas natalícias e perguntar se toda a gente ali gosta desta época. No meio do grupo, uma miúda franzina diz: “Eu não. Eu odeio o Natal“.

Ele passa-se com tal opinião e, sem pensar, dispara um: “Não gostas do Natal!?? Como não gostas do Natal!?? Que raio de pessoa não gosta do Natal!?? Diz lá o que é que já aconteceu no Natal, para teres ficado assim!??“. Isto sempre de sorriso na cara.

E foi ali que eu percebi que aquele sorriso estava prestes a ser pulverizado por um comboio em contra-mão. Aquela boa disposição, estava a segundos de levar com um martelo na cara. Mesmo em cheio nos dentes.

Recostei-me, puxei de um pacote de pipocas imaginário e aguardei por uma resposta como: “Porque o meu pai morreu no Natal“;

ou “Porque a minha família toda morreu num acidente a caminho do Natal em casa dos meus avós e só eu é que sobrevivi“;

ou “Porque foi no Natal que os donos do orfanato onde fui criada, me abandonaram na floresta e me deixaram ser criada por lobos durante dois anos“;

ou “Foi num Natal que achei engraçado enrolar o meu irmão mais novo nas luzes da árvore e acabei por enforcá-lo sem querer e quando voltámos para a sala, estava uma criança de dois anos a piscar no meio do chão“;

ou “Porque todos os natais o marido da minha avó, a meio da noite, resolvia vestir-se de Pai Natal e aparecer no meu quarto com um presente embrulhado nas calças dele“.

Enfim… estava estendida a passadeira vermelha da vergonha alheia. Era só esperar e ver aquela boa-disposição falecer ali, à nossa frente, num poço de desconforto por ter feito a pergunta sem pensar nas consequências da resposta.

Mas não. Limitou-se a dizer que não gostava porque não gostava. Nem sequer se deu ao trabalho de pensar rápido e acabar com ele ali, à frente de todos nós.

Desperdício. Havia de ter sido comigo.

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2 Respostas to “Dá Deus nozes…”

  1. Diana 12/01/2016 às 17:02 #

    ahaha tão bom!
    Já sei o que vou responder para o ano quando me fizerem essa pergunta pela milésima vez.

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