Só mais uma coisa sobre isto das praxes…

26 Jan

A culpa, na verdade, é dos “caloiros” que se deixam levar por esta brincadeira. Acabei de ver mais uma das mil notícias sobre o tema e não há explicação para a alegria daqueles miúdos, durante o processo de humilhação.

Há ali qualquer coisa de orgulho por se ter chegado à universidade (coisa que, ao contrário do tempo dos nossos pais, é cada vez mais banal) e uma esperança de que “pró ano” serei eu ali aos gritos, vestido como o Manuel do Laço (quem não sabe quem é, faça o favor de googlar).

Isto tudo apenas para dizer que, apesar de reconhecer que este problema tem outras implicações, ainda me custa perceber porque raio é preciso impedir legalmente as praxes (mas sim, parece que é melhor fazê-lo).

Então mas aqueles miúdos não podem dizer simplesmente (linguagem inapropriada será utilizada daqui para a frente): “Vais onde!? Tira a mão caralho!! Mas conheço-te de algum lado!?? Fica mas é quietinho porque não faço parte da malta que gosta destas brincadeiras, ok!? Tribunal de quê!?? De praxe!?? E isso é onde, ao lado do Café Central!? E vai a GNR buscar-me casa ou uma equipa de batmans como tu!? Deixa mas é de ser ridículo!“.

Claro que isto, dito a um jovem alcoolizado em frente aos seus amigos (eventualmente maior que nós), poderá culminar numa cena menos agradável. Seja como for, não acredito que vos levassem à força. No caso das pessoas mais vulneráveis, também acredito que bastaria um simples “Obrigam-me a alguma coisa e vou direitinho daqui para a polícia, ok!?“.

Certamente haverão histórias que contrariarão esta minha teoria mas… não me lixem. Podem entrar na cena das caras pintadas porque é giro, deixar-se levar pela emoção e pelo facto do grupo estar todo a alinhar, etc. Agora estar ali a ser humilhado brutalmente, só mesmo quem quer conquistar o direito de fazer também.

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19 Respostas to “Só mais uma coisa sobre isto das praxes…”

  1. Margas 26/01/2014 às 22:08 #

    O problema aqui é que toda a gente parte do príncipio que as praxes são humilhantes e agressivas, coisa que não é verdade! Eu fui praxada, e também praxei e posso-te dizer que a única vez que levantei a voz e fui agressiva durante as praxes não foi para um caloiro mas sim para uma colega minha que também estava a praxar (e a esticar a corda, na minha opinião!). Depois os caloiros têm sempre a possibilidade de se declarar anti-praxe sem qualquer stress. O problema de todo este assunto não reside na praxe, reside no carácter de quem a executa e problemas de carácter (ou falta dele) existem em todo o lado…

  2. DC 26/01/2014 às 22:46 #

    Aqui a Margas tem toda a razão.
    Este episódio é triste, mas podia até nem ser uma praxe e ter acontecido à mesma. A verdade é que os media estão a engrandecer o assunto da forma ridícula que sempre fazem. E o governo esfrega as mãos de contente com mais esta manobra de diversão. Aquele documentário que deu ontem na RTP foi gravado há 4 anos e estava claramente enfiado numa gaveta à espera do momento mais oportuno. Ali apareceram as praxes da minha universidade e só tive vontade de rir. Participei de livre e espontânea vontade e quando me mandaram fazer uma cena que achei estúpida, recusei-me. E não fui ostracizada nem humihada nem mais -ada nenhuma. Participei apenas no que me apeteceu (e que se limitou praticamente a pinturas na cara e coisas parecidas com jogos de gincana – uh ah que coisa terrível!).
    Toda a gente tem de ter bom senso aqui – os que praxam e os que são praxados. Mas a falta de bom senso não é um problema só das praxes, pois não?

    • Factos de Treino 27/01/2014 às 11:20 #

      Percebo-te. Mas parece que continua a ahaver malta que vive aquilo com demasiada excitação e, mais estranho ainda, miudagem que assume que tem que cumprir aquelas ordens ridículas.

      E aqui entre nós… aquela figurinha de miúdos vestidos de preto, aos gritos com outros miúdos como se fossem uns conhecedores da vida e das dificuldades que os esperam… deve dar para uma pessoa se envergonhar de estar a ver-se na televisão a fazer aquilo. Vi a tal reportagem e só pensava que muito boa gente deveria estar em casa a pensar: “mas que raio me passou pela cabeça naqueles tempos…!??”

      • DC 28/01/2014 às 21:26 #

        Claro. Mas se qualquer outro episódio do teu crescimento tivesse sido filmado e posto na TV terias o mesmo pensamento.
        Qualquer exagero é ridículo. E vi mais tarde a reportagem da TVI onde mostravam que a comissão de praxe da ULHT tinha todo um perfil detalhado sobre cada um dos seus elementos, bem como estes assinavam “termos de responsabilidade”, assim em jeito de seita. Isso é assustador. E não tem qualquer razão de ser.
        Pena é que com isto se generalize e se ache que são todos uns loucos. Porque todos temos o direito de fazer figuras de parvo ao longo da vida, mas assumir a praxe como “toda-uma-cena-super-séria-e-essencial-para-a-minha-vida” já é só estupidez.

  3. Apenas uma opinião 27/01/2014 às 01:38 #

    As praxes são como as prostitutas, a culpa não é delas, não tivessem clientes não estavam lá. Aprendam a dizer não, cresçam. Neste momento podíamos estar na banca rota que o assunto praxes ia ser sempre mais importante!

    • Mirone 27/01/2014 às 03:49 #

      Verdade, verdadinha. Não vejo ninguém a agitar-se tanto com o orçamento que entrou a gora em execução.

    • Factos de Treino 27/01/2014 às 11:20 #

      Bela analogia! 🙂

  4. Mirone 27/01/2014 às 03:48 #

    Nota prévia à nota prévia, no contexto e fora dele: És grande, Factos! Se eu fosse a Tina Turner cantava-te you’re simply the best!

    Agora, nota prévia, lugar comum, bitaite idiota, falso moralismo, enchedor de chouriços para manter afastados os que não gostam de ler comentários longos, cantas bem mas não me alegras, o que lhe queiram chamar, é à escolha do freguês:
    “Se um não quer, dois não dançam o tango” (mas também há a orquestra, que toca, não é uma coisa só de dançarinos).

    Agora sim, a minha opinião:
    Digo-te aqui o que já tinha dito no FB. Mas para quê, no caso do Meco, procurar agora um responsável se toda esta tragédia foi o somatório de irresponsabilidades? Não de uma, mas de várias pessoas. Não sei se o que os levou à praia foi um ritual de praxe, se era uma reunião para preparar novas praxes, se simplesmente depois de uma jantarada decidiram ir passear à beira mar. Uma coisa é certa, o que unia aqueles estudantes era o facto de pertencerem à comissão de praxes de uma universidade.
    Quanto ao fenómeno das praxes em geral, agora é fácil insurgirmo-nos contra as praxes, que são isto, que são aquilo, mas alguém fez alguma coisa para que deixassem de o ser? Contra mim falo, que apesar de ter frequentado uma faculdade onde as praxes, comparadas com o que se vê hoje, eram coisas de meninos (um único dia, com pinturas na cara, salpicos de farinha e pouco mais), nunca quis ser praxada – e não me aconteceu rigorosissimamente nada, não fui ostracizada, não deixei de fazer amigos, de ir a festas e jantaradas, e fui a tantas, meu deus, às minhas e às do outros cursos – mas também nunca mexi uma palha para acabar com abusos que tenho visto nos últimos tempos. Mentira, uma vez chamei a polícia, que estava farta do berreiro àquela hora da noite. Na verdade, quando assisto àquele degredo à porta de minha casa não consigo sentir mais do que desprezo e vergonha alheia (de quem praxa e de quem se deixa praxar daquela forma grosseira e humilhante). Mas fazer qualquer coisa, é para fazer o quê? Proibir, legislar sobre a matéria? Então mas chegámos a um ponto em que se legisla o bom senso? Não, muito obrigada. Até porque, bem vistas as coisas, já existem leis com fartura, assim de repente ocorrem-me a lei do ruído, leis que regulam a venda de bebidas a quem se mostre manifestamente alcoolizado, outras leis que proibem o lançamento de lixo na via pública, leis contra a tortura, contra ofensas à integridade física, honra e bom nome. E há mais, seguramente.
    Basicamente é isto, praxantes e praxados têm idade para saber separar o bem do mal e agir em conformidade. Não vamos diabolizar só quem praxa (buuuu, mauzões, a humilhar os coitadinhos dos caloiros, acabem com isso de uma vez), ou só quem se deixa praxar (otário, devias dizer não, só estás aí porque queres e para fazer o mesmo para o ano).

    And now for something compeletly different

    • Factos de Treino 27/01/2014 às 11:21 #

      Prefiro-te à Tina. Canta para mim. Posso trocar a música!??

      Quero o Private Dancer!

      • Mirone 27/01/2014 às 11:26 #

        :DDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDDD

        I ❤ U

        • Factos de Treino 27/01/2014 às 11:27 #

          Sim, sim… CANTA!

          • Mirone 27/01/2014 às 13:42 #

            Well the men come in these places
            And the men are all the same
            You don’t look at their faces
            And you don’t ask their names
            You don’t think of them as human
            You don’t think of them at all
            You keep your mind on the money
            Keeping your eyes on the wall

            I’m your private dancer
            A dancer for money
            I’ll do what you want me to do
            I’m your private dancer
            A dancer for money
            And any old music will do

            I wanna make a million dollars
            I wanna live out by the sea
            Have a husband and some children
            Yeah, I guess I want a family
            All the men come in these places
            And the men are all the same
            You don’t look at their faces
            And you don’t ask their names

            I’m your private dancer
            A dancer for money
            I’ll do what you want me to do
            I’m your private dancer
            A dancer for money
            And any old music will do

            I’m your private dancer
            A dancer for money
            I’ll do what you want me to do
            Yes your private dancer
            A dancer for money
            And any old music will do

            Dutchmarks or dollars
            American Express will do nicely, thank you
            Let me loosen up your collar
            Tell me, do you wanna see me do the shimmy again?

            I’m your private dancer
            A dancer for money
            I’ll do what you want me to do
            I’m your private dancer
            A dancer for money
            And any old music will do

            I’m your private dancer
            A dancer for money
            I’ll do what you want me to do
            I’m your private dancer
            A dancer for money
            And any old music will do

            I’m your private dancer, dancer for money
            Just a private dancer, dancer for money

  5. Anónimo 27/01/2014 às 10:34 #

    Continuo a achar que quem diz que a praxe é humilhação é porque nunca foi praxado.
    E se chegar a ser humilhação é porque não é uma praxe.

    • Factos de Treino 27/01/2014 às 11:22 #

      pois… num mundo ideal seria assim.
      mas depois aparecem estas notícias.

      • Anónimo 27/01/2014 às 11:55 #

        E mais…! Praxe é para quem quer, ninguém é obrigado a nada!

  6. ZéCueca 27/01/2014 às 21:55 #

    Guns Don’t Kill People, People Kill People

  7. rggmed@gmail.com 21/04/2015 às 02:00 #

    …certo che deprime constatare che dopo anni di bastonate ricevute da Rifondazione, anche in queste pagine che dovrebbero contenere valutazioni serie e informate, si sostenga senza tema del ridicolo, che è il Partito a non volere “le personalità”! Ma se ci siamo rovinati per aderire con lealtà e generosità a TUTTO quel che proponevano e propongono allo stesso modo anche oggi le “personalita” che invece perseguono scientificamente e per ora senza esito, la nostra dissolvenza. Chi si esprime deve avere cognizione di causa, non orecchiare stupidaggini sparse a piene mani contro di noi.
    sammydress http://www.sammydress.cc

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