Texto escrito ao abrigo de alguma azia de perdedor

12 Jan

Vamos lá esclarecer uma coisa.

Sou o primeiro a defender todas as homenagens que se possam fazer ao Eusébio e o primeiro a indignar-me sempre que não se respeita a morte de um homem. Principalmente quando este homem representa o que representa para tanta gente neste país. Sou portista mas lembro-me de ser criança e ouvir o meu pai contar-me os feitos do Eusébio no Mundial de 66, excitado com tudo o que aquilo significou naquela altura.

Percebo que o Eusébio fosse a última memória de um Portugal (e de um benfica) passados e que isso deixe saudades em muita gente. Principalmente aos que viveram essas glórias. Percebo que ter o melhor jogador do mundo, naquela altura, tenha sido uma injecção de moral num país que estava a léguas do resto da Europa. Os tempos estão diferentes, muito diferentes, e mesmo assim vibramos com a possibilidade do Cristiano conquistar esse galardão pela segunda vez.

Que não restem dúvidas sobre isto.

Agora o que a morte do Eusébio não pode ser, é uma carta verde para a parcialidade de alguns dos radialistas que acompanharam o jogo desta tarde. Uma desculpa para que, enquanto fazem o seu trabalho, deitem cá para fora aquilo que realmente lhes vai na alma.

Ouvi o relato em viagem. Saltei entre TSF e Antena1. Ouvi diversas vezes, em ambas, vozes emocionadas e trémulas de radialistas que invocavam a memória de Eusébio. Frases feitas a desejar que o “espírito do pantera descesse sobre as camisolas vermelhas“, comentadores a dizer que “é com esta garra do King que o benfica deveria jogar sempre“. Ouvi gritar os golos do benfica intercalados com o nome do Eusébio, quase em lágrimas. Ouvi dizer que o “golo do Garay foi o segundo golo que Eusébio marcou esta noite“. Mas para dizer estas coisas, bastam-me 60mil benfiquistas no estádio e mais uns milhões em casa.

A alegria com que se celebravam os golos do benfica e o desalento com que se relatavam as oportunidades perdidas, deixaram-me com a sensação que esta malta se esqueceu que em campo não estava a selecção nacional contra os ingleses ou outro tipo de adamastores. Sentia-se no ar a alegria que se sente quando Portugal passa mais uma eliminatória num mundial, no entanto, eram duas equipas portuguesas. Uma delas, tricampeã.

Não podem dizer que mais que um símbolo do benfica, Eusébio era um símbolo nacional e – uns dias depois – fazer da sua alma o porta-estandarte de apenas uma parte do país.

20140112-201849.jpg

PS1: Existe aqui, obviamente, alguma azia de perdedor. Mas a verdade é que foram 90min a sentir isto. E ainda por cima perdemos.

PS2: Apesar de no relato ter ficado com a ideia que devíamos ter levado mil a zero, parece que a derrota é justa. Pelas mensagens que recebi de amigos de ambos os lados, o FCP não jogou um charuto. Aquele treinador é uma miséria e a forma pacífica como aceita uma derrota frente ao principal rival, é algo que não encaixa no “Vencer, este é o nosso destino” e muito menos no “Somos Porto”.

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13 Respostas to “Texto escrito ao abrigo de alguma azia de perdedor”

  1. Luis Silva 12/01/2014 às 20:37 #

    Apesar de Benfiquista, concordo a 100% no que foi escrito neste texto!

  2. Anónimo 12/01/2014 às 20:46 #

    Como benfiquista quero acreditar que se o benfica nao tivesse jogado à Benfica, os relatos tinham sido menos emotivos….
    Penso eu de que ….

    • Nuno Ferreira 12/01/2014 às 20:47 #

      Como benfiquista quero acreditar que se o benfica nao tivesse jogado à Benfica, os relatos tinham sido menos emotivos….
      Penso eu de que ….

    • Nuno Ferreira 12/01/2014 às 20:48 #

      Aqui em baixo jà estou identificado ….
      ups…..

  3. André Costa 12/01/2014 às 21:48 #

    Eu sou do Sporting e há anos que ando a dizer o mesmo da rádio. Aliás, ainda mais digo acerca da SIC e da TVI. Concordo com a opinião do Factos a 500%! Se houvesse isenção nunca seriam permitidos tantas faltas de profissionalismo. Percebo que o Benfica seja um grande clube, com mais adeptos, mas os outros também existem e não têm que ser sujeites a isto. Um abraço de um leitor assíduo.
    André Costa

  4. eugenia 12/01/2014 às 21:55 #

    Não percebo (confesso que nem gosto) de futebol; Eusébio era-me querido no sentido de que me parecia boa pessoa e acredito que tenha sido um excelente “jogador da bola” – como o próprio se definia, e por isso lamento a sua morte (com a distância de quem nem conhece a pessoa pessoalmente…) Admito que me emocionei, porque a morte emociona-me, porque sou filha, esposa… e coloco-me também no lugar de quem perde os seus entes queridos. Mas é isto que sinto, não menos, não mais. Que se honre a sua memória, sobretudo como pessoa (mas claro, inevitavelmente com o carácter de figura pública que era e merece). Bom, isto tudo para dizer que me parece que o teu texto é muitíssimo sensato e se os acontecimentos de hoje assim foram como descritos, não me parece correcto, porque honrar uma pessoa que gostava de jogar à bola será, porventura, digo eu que não percebo nada de futebol, reitero, jogar à bola sem vícios, sem parcialidades por parte de quem as tendo terá obrigação profissional de as colocar de lado. Um beijo e uma boa noite, FT e família Factos de Treinista (é assim que dizes, certo? É tarede, estou cansada, desculpa qualquer falha).

    • Factos de Treino 13/01/2014 às 11:25 #

      Família Factosdetreinista somos todos nós!
      Mas os cá de casa, agradecem! 😉

  5. Pedro Maia 13/01/2014 às 00:11 #

    Não vi o jogo como não tenho visto a maioria dos jogos desta temporada. Custa-me perder 90 minutos da minha vida a ver uma equipa enfadonha, apática e completamente banal a jogar. Não sei se a culpa é do treinador que ainda não sabe o que quer, dos jogadores que não sabem aplicar na prática a teoria do treinador ou um bocadinho dos dois.

    Agora, e tal como dizes, não se pode aceitar uma derrota frente ao maior rival tão pacificamente como este treinador o parece fazer. Uma derrota não é normal. Uma derrota e jogar pior que o Carcavelinhos ainda menos. Este Fonseca tem todos os maus vícios e nenhuma das virtudes de um agente do futebol. É arrogante, desinteressado, irresponsável e gabarolas, falta-lhe a mística, o orgulho e a garra. Mal por mal, o Vitor Pereira (a quem eu tanto critiquei, mea culpa) era um filho do clube e de certeza que sentia as derrotas no coração.

    Resumindo e concluindo, e porque o texto não é sobre o Fonseca, já há muito que se percebeu que os comentadores não são isentos. Uns conseguem disfarçar melhor do que outros, mas quando se ouve um comentador quase ter um ataque de asma porque um jogador do seu clube rematou a 3 metros da baliza, sem qualquer perigo, percebe-se o estado das coisas.

    É por estas e por outras que prefiro jogar a ver futebol.

  6. Laissez-Faire 14/01/2014 às 11:54 #

    Somos grandes e pronto! Há que admiti-lo! eheh
    Acredito q o relato tenha sido como descreves e que a morte do Eusébio tenha incrementado ainda mais isso, mas essa falta de impacialidade ouve-se em muitos jogos do Porto também…por isso é bem provável que este post seja mais a azia a falar lol

  7. Tamborim Zim 14/01/2014 às 21:39 #

    Factos, amigo, Porto sempre, o Porto está connosco!

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